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A batalha contra a principal causa da mortalidade infantil

© UNICEF/MOZA01725/G.Pirozzi
Julieta, de cinco meses de idade, tem malária e jaz quase sem vida nos cuidados intensivos.

Xai-Xai (Moçambique) – Zaida Álvaro acaricia ternamente a testa do seu bebé de cinco meses, Julieta, que jaz quase sem vida numa cama do hospital nos cuidados intensivos, com um tubo inserido no nariz para a ajudar a respirar.

“O meu marido não sabe que a  Julieta está no hospital,” diz ela. A mãe, que está internada no hospital há dez dias, explica que o pai da Julieta trabalha na África do Sul.

Zaida, que desistiu da escola depois de completar a quarta classe, está desempregada e dependente do seu marido e da família dele. Vivem todos juntos numa pequena casa de caniço.

O médico a tratar da Julieta está pessimista, e explica que a condição da Julieta é grave. “Passámo-la para os cuidados intensivos porque ela não está a melhorar,” explica.

Em Moçambique, morrem mais crianças de malária do que de qualquer outra doença. A doença representa 60 por cento das admissões infantis nos hospitais e 30 por cento das mortes hospitalares. É também uma das principais razões porque Moçambique ainda tem uma das taxas de mortalidade infantil mais elevadas do mundo.

A malária também é grave para as mulheres grávidas, que correm o risco de sofrer de anemia grave, que pode ser fatal. Para além de fazer as mulheres doentes, a malária durante a gravidez pode dar origem a bebés com baixo peso ao nascer – um dos factores mais importantes para a sobrevivência futura de uma criança.

Não existe uma maneira fácil de combater a malária, que é endémica em todo o país. O clima favorece a transmissão ao longo do ano, sendo o pico da incidência durante a época chuvosa.
 
O governo, com o apoio do UNICEF, realiza a distribuição grátis de redes mosquiteiras tratadas com insecticidas (RMTIs) a todas as mulheres grávidas e crianças com menos de cinco anos em muitas das províncias. As redes são um método eficaz e barato de prevenção da malária; previnem as picadas e matam o mosquito.

“As mulheres grávidas vão beneficiar da rede e os seus filhos também pois a maioria das novas mães dorme com os seus bebés nos primeiros anos de vida,” salienta o Responsável pelo programa da malária no UNICEF Timothy Freeman.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as RMTIs podem reduzir a transmissão da malária em pelo menos 60 por cento e as mortes infantis em um quinto se as redes forem utilizadas de forma adequada.

© UNICEF/MOZA01770/G.Pirozzi
A enfermeira Francisca garante que as mulheres grávidas que vão aos serviços pré-natais entendem como utilizar uma rede mosquiteira.

No entanto, as RMTIs devem ser aliadas a práticas de saneamento e de higiene melhoradas. Mas mesmo assim, ainda é possível apanhar malária. Caso se manifestem sintomas de malária, um tratamento rápido bem como cumprir o mesmo irá reduzir a elevada taxa de mortalidade.

As boas notícias são que as crianças adquirem, lentamente, imunidade contra a malária, fazendo com que seja pouco provável que morram de malária depois dos cinco anos de idade a não ser que a malária esteja aliada a outra condição que comprometa o seu sistema imunológico, como por exemplo o HIV/SIDA.

Desde 2000, cerca de 1,7 milhões de RMTIs foram distribuídas através de sistemas de saúde públicos, das quais 66 por cento foram entregues através de programas apoiados pelo UNICEF em cerca de 86 distritos dos 146 distritos no país.

No entanto, um número significativo de mulheres grávidas não é abrangido, em particular se não vão a clínicas pré-natais. “Nunca utilizei uma rede mosquiteira porque não tenho dinheiro para comprar uma”, diz a mãe da Julieta, olhando ansiosamente para a sua filha.

A enfermeira Francisca Victória, numa unidade sanitária num dos subúrbios mais pobres de Xai-Xai, diz que se certifica que todas as mulheres grávidas recebem uma rede. Ela passa tempo com cada mulher grávida para explicar como tratar e utilizar a rede. “Eu explico-lhes primeiro e em seguida peço-lhes que me expliquem para ter a certeza que perceberam bem.”

Nélia Machango, com dezassete anos de idade, recebeu a sua rede na unidade sanitária das mãos da enfermeira Francisca. “Estou grata pela rede porque eu lembro-me como me senti mal quando tive malária recentemente,” diz Nélia, que está a descansar na sua modesta casa nos subúrbios da cidade de Xai-Xai. Ela ficou grávida quando ainda estava na escola e estava a sair-se relativamente bem. “Estou aliviada por ter uma rede. Não me posso dar ao luxo de apanhar malária,” diz ela.

 

 

 

 

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