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Expandir a vacinação e os serviços de saúde para áreas remotas

© © UNICEF/MOZA-01438/G.Pirozzi
A enfermeira pesa as crianças para identificar casos de malnutrição.

Maganja da Costa (Moçambique) – De pé numa bicha com centenas de outras mulheres e crianças, Zaira Xavier e os seus quatro filhos aguardam ansiosamente para serem vacinados sob a sombra de uma mangueira.

É um dia importante para Zaira, que admite ser difícil assegurar a sobrevivência dos seus oito filhos na aldeia remota de Namaruvua, a mais de 200 km de Quelimane, a capital da província da Zambézia.

Desta vez, ela não teve de andar a pé durante horas para ter acesso à serviços de saúde porque uma unidade móvel trouxe uma variedade de serviços à sua comunidade, incluindo vacinas, vitamina A, pesagem e desparasitação para crianças com menos de cinco anos de idade. Uma enfermeira e um farmacêutico estão disponíveis com medicamentos para tratar uma variedade de doenças facilmente identificáveis.

A enfermeira pesa as crianças no exterior, perto da árvore onde estão a decorrer as vacinas. Ela coloca os bebés um por um numa balança presa ao ramo de uma árvore.

Perto, os activistas de saúde apresentam uma peça teatral sobre a importância do planeamento familiar. O público é composto principalmente por mulheres que riem e batem as palmas ao ver como uma das  actrizes fica devastada ao descobrir que está grávida de novo. Grande parte das mulheres, que tem em média seis filhos cada, consegue identificar-se com o que ela sente, incluindo Zaira. “O meu corpo está tão cansado,” diz ela. “Eu casei-me logo após a minha primeira menstruação e desde então tenho dado à luz quase todos os anos. O meu filho mais velho tem 16 anos.”

Zaira trouxe quatro dos seus oito filhos para vacinas e exames medicos completos. Mas ela esqueceu-se de todos os cartões de saúde (boletins de vacinação) em casa.

Zaira ilustra muitos dos desafios que Moçambique, que tem uma das taxas de mortalidade de crianças com menos de cinco anos mais elevadas do mundo, enfrenta. Cerca de 152 crianças em cada 1.000 não sobrevive até aos cinco anos.

O UNICEF apoia as metas definidas pelo Ministério da Saúde de atingir pelo menos 80 por cento de cobertura de vacinação de rotina de crianças e eliminar o tétano neonatal.

Apesar de se ter feito muito desde o início do Programa Alargado de Vacinação (PAV) em Moçambique em 1979, existem ainda muitas crianças e mulheres que não beneficiam de vacinas ou mesmo de cuidados de saúde básicos. Mais de metade dos 20 milhões de pessoas do país ainda não têm acesso à cuidados de saúde. Grande parte, como Zaira, vive em áreas rurais isoladas.

© UNICEF/MOZA-01468/G.Pirozzi
Mulheres em idade reprodutiva como Zaira Xavier são vacinadas contra o Tétano.

Consequentemente, o Governo de Moçambique e os seus parceiros trabalharam num novo plano de imunização designado Visão e Estratégias Globais de Imunização para 2006-2015. O objectivo não só é de atingir mais pessoas mas é também de introduzir novas tecnologias e vacinas recentemente disponíveis tais como a vacina Haemophilus Influenzae (HIB) para crianças com menos de cinco anos de idade bem como integrar vacinas antigas e novas com outros serviços de saúde.

O Responsável pelo programa de vacinação no UNICEF, Bertrand Jacquet, explica que o apoio do UNICEF irá incidir numa nova abordagem do governo designada “Atingir Todos os Distritos”, em particular em comunidades remotas como a de Zaira. Para além de oferecer vacinas e outros serviços de saúde em postos específicos, as autoridades de saúde irão realizar mais serviços alargados com as unidades de saúde móveis. As unidades têm caixas térmicas especiais que mantêm as vacinas à temperatura adequada por um período de 24 horas, porque a maior parte destas áreas isoladas não tem electricidade.

 Bertrand diz que o pessoal das unidades móveis deve combinar o dia da visita com a comunidade atempadamente. “Deve ser a comunidade a decidir qual é a melhor altura para a visita da equipa de saúde.”

A formação do pessoal de saúde representa também um desafio significativo. “Precisamos de serviços de saúde com mais qualidade e de uma melhoria na monitoria e avaliação dos dados para que possam ser utilizados como base para a acção,” declara Bertrand.

O outro grande desafio, explica o Chefe do programa de vacinação na Zambézia José Pondeca, é a falta de educação das próprias mães.

 “Apesar da maioria das mães saber agora a importância de vacinar os seus filhos, algumas ainda não compreendem que devem cumprir o calendário das vacinas.”

Apesar de Zaira ter esquecido os seus boletins de vacinação, pelo menos ela está consciente da  importância das vacinas e para que servem. “Três dos meus filhos mais velhos não foram vacinados porque durante a guerra as equipas de saúde não conseguiam chegar até nós. Tiveram todos sarampo. Pensei que iam morrer.”

 

 
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