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Reflectindo sobre o Dia Mundial da Água.

Nas vésperas do Dia Mundial da Água, crianças lançam apelo urgente na busca de solução sobre a crise mundial da água

Maputo, Março 2006 – Enquanto o Mundo se prepara para assinalar o Dia Mundial da Água, na Quarta-feira, 22 de Março, uma reunião muito importante de crianças tem lugar na Cidade do México, sobre água, sobrevivência e educação, em paralelo com o IV Fórum Mundial sobre a Água. Nessa reunião estão presentes mais de 100 jovens activistas de água de mais de 30 países e conta com a presença de Ministros do pelouro de todo o Mundo. As crianças participam em discussões que visam contribuir na busca de soluções para a crise mundial de água sem precedentes no mundo de hoje. Os Fóruns Mundiais sobre a Água realizam-se de três em três anos. O anterior realizou-se em Kyoto no Japão (em Março de 2003).

O Dia Mundial de Água de 2006, coordenado pelo UNESCO, comemora-se sob o tema Água e Cultura. As celebrações centrais terão lugar em Mocuba sob os auspícios da Direcção Nacional de Águas (DNA), do Ministério das Obras Públicas e Habitação (MPOPH) em parceria com o Governo Provincial da Zambézia. Em paralelo, realiza-se em Maputo, sob os auspícios do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) uma actividade para a apresentação pública de uma nova entidade a trabalhar no sector de águas.

O tema Água e Cultura sublinha o facto de que existem várias formas de como a vemos, a utilizamos e a celebramos, uma vez que existem muitas tradições e manifestações culturais em todo o Mundo. Sagrada, a água encontra-se no centro de muitas religiões e é utilizada em diferentes ritos e cerimónias. Fascinante e efémera, a água foi utilizada em artes ao longo dos séculos – na música, dança, pintura, literatura e cinema – constitui um factor essencial em muitos empreendimentos científicos.

O UNICEF quer utilizar esta efeméride para sublinhar o impacto da água sobre as crianças e reflectir em relação à água, saneamento e higiene.

PORQUÊ ÁGUA, SANEAMENTO E HIGIENE?

A falta de água e saneamento básico é uma crise mundial. Um sexto da população mundial, acima de 1 bilhão de pessoas, não têm acesso a água potável. Mais de 2.6 bilhões – uma em cada três - não possuem condições básicas de saneamento.

Tais condições de vida precárias constituem a causa principal de morte e doenças no mundo. A diarreia que constitui, em países desenvolvidos, uma mera inconveniência digestiva, é de facto a mais sub-estimada e menos reportada crise de saúde pública na Terra, incluindo em Moçambique. A educação sanitária e a promoção do hábito de se lavar as mãos pode reduzir casos de diarreia em 45 por cento.

PORQUÊ CRIANÇAS? 

Água não potável e higiene precária têm um grande e pior impacto em crianças primeiramente. O impacto devastador reflecte-se em todos os aspectos da vida da criança, desde a sua sobrevivência, desenvolvimento e educação.
A diarreia é causa de muitas doenças e mortalidade infantis em países em desenvolvimento do que qualquer outra doença. A diarreia é a segunda causa unitária de mortalidade infantil, dizimando 4.500 crianças menores de cinco anos em cada dia. Em Moçambique a diarreia também constitui uma das principais causas de doenças e mortalidade infantis.

Doenças com origem na água são a causa de muitas doenças e malnutrição no mundo. Mais do que 4 bilhões de episódios de diarreia em cada ano levam crianças à beira da sua sobrevivência. Mais do que 220 milhões delas estão infectadas de parasitas intestinais (lombrigas), que lhes sugam os nutrientes e causam-lhes a perda de peso e raquitismo. Todos os anos, estas doenças deterioram os sistemas de saúde e condenam milhões de crianças a perderem a vida ou se tornarem portadoras de deficiência permanente e, assim, arruinando suas potencialidades.

A educação das crianças, particularmente o das raparigas, sofre. Cada dia, as salas de aulas dos países em desenvolvimento não registam a presença de muitas crianças por estarem a padecer de doenças com origem na água. E sem sanitários adequados nas escolas, a frequência escolar pode tornar-se impossível por parte das raparigas.

Sub-desenvolvimento crónico é o resultado inevitável. Uma criança que cresce sem água potável ou o mínimo de condições higiénicas tem poucas hipóteses de escapar da pobreza. O capital humano é drenado pela mortalidade infantil e doenças constantes que levam as pessoas a se ausentar do trabalho ou da escola. As nações mais pobres pagam acima de $US 63 mil milhões em produtividade perdida em cada ano.

Alcance das metas dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio sobre água e saneamento depende do melhor acesso para as crianças. Centralizar-se as políticas e os planos nacionais de águas sobre as crianças é a melhor rota de mudança para incrementar o acesso da água para todos. Proteger-se as crianças em primeiro lugar pode dinamizar melhorias consideráveis nas taxas de saúde e de educação.

Ter as crianças envolvidas em projectos de água e saneamento é também importante. Crianças são as que mais ganharão quando se melhorarem as condições de vida. A sua energia e contribição têm sido cruciais na busca de mudanças no seio das suas comunidades – melhoria das condições, ensinando boas práticas de higiene e demadando melhores serviços básicos de governantes.


A SITUAÇÃO EM MOÇAMBIQUE

Moçambique tem ainda uma das taxas mais elevadas de mortalidade infantil no mundo. Cento e setenta e oito crianças (178) de 1.000 de nados vivos morrem antes de atingir os 5 anos de idade devido à malária, diarreia, das infecções respiratórias agudas (ARI), e das doenças preveníveis por vacinas.  Muitas crianças menores morrem em casa, porque seus pais não reconhecem os sintomas de doenças graves ou não têm nenhum acesso fácil aos serviços médicos.

Segundo dados do Inquérito Demográfico e de Saúde (2003), o baixo acesso ao abastecimento de água e ao saneamento básico é o factor-chave que contribui para a prevalência elevada de doenças diarreicas. O acesso aos serviços de abastecimento de água e saneamento é extraordinariamente baixo: apenas 36.6% da população tem acesso à fontes de água segura (zonas urbanas – 68.9%); zonas rurais – 23.2%) enquanto 48.3% tem acesso a serviços de saneamento melhorados (zonas urbanas – 77.5%, zonas rurais – 36.3%).
Nas zonas peri-urbanas, registou-se certo progresso, nos últimos 10 anos, na capacitação para a provisão de serviços de saneamento de baixo custo, mas as doenças diarreicas e o surto de cólera continuam a ser uma ameaça principal à saúde das crianças.

PROGRESSO E INOVAÇÃO

Os objectivos do Programa de Água, Saneamento e Promoção de Higiene que o UNICEF e outros parceiros de desenvolvimento apoiam, visam a redução de morbilidade e mortalidade devido a doenças associadas com o inadequado abastecimento de água e saneamento e práticas de higiene precárias, assim como a promoção da educação da rapariga através da redução do tempo e energia gastos pelas raparigas e mulheres em actividades relacionadas com a colecta de água.

Progresso e inovação realizados em 2005 incluem:

  • 93.000 pessoas tiveram acesso à água potável e 38.000 ao saneamento melhorado em zonas rurais e peri-urbanas de Maputo, Gaza, Sofala e Zambézia.

  • Construção de condições sanitárias melhoradas em 78 escolas primárias  incluindo latrinas separadas, lavatório de mãos e urinóis e de 177 novos fontanários  e reabilitação de furos e poços, que beneficiaram 27.000 alunos no total.

  • Bombas-carrossel que os alunos utilizam para brincar enquanto bombam água.

  • Comités de Saneamento de Criança para Criança estabelecidos em escolas promovem educação sanitária de pares, suas famílias e comunidades.

  • Contribuição para a elaboração da Política Nacional de Águas com uma abordagem holística que integra questões de água, saneamento, HIV/SIDA, higiene e sustentabilidade.

Em geral, o UNICEF está a apoiar o Governo Moçambicano e as organizações locais a reforçar o compromisso e a capacidade de Moçambique de promover, proteger e cumprir os direitos das crianças e na realização das suas necessidades básicas.  Ao nível nacional, isto traduz-se através da planificação e monitoria de políticas.  A nível provincial e distrital, a estratégia é capacitar a provisão sustentável de serviços de qualidade. O desenvolvimento da capacidade ao nível da comunidade visa a aquisição de poder por parte das famílias e comunidades com conhecimentos e habilidades a fim de melhorar as oportunidades das crianças crescerem saudáveis no seu pleno potencial.

Para mais informação sobre crianças e água, queira contactar:

Manuel Eduardo Freitas, Programas de Água, Saneamento e Higiene, UNICEF Maputo: (+258-82)- 317-9170
Gabriel Pereira, Comunicação, UNICEF Maputo (+258-82) 316 5390
Thierry Delvigne-Jean, Comunicação, UNICEF Maputo: (+258-82) 312 1820

Sobre o Dia Mundial da Água em Moçambique, queira contactar:

Nina Bull Jorgensen, Oficial de Comunicação da UNESCO (+258-82) 393 990

 

 

 
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