Um quarto das crianças em todo mundo seriamente afectadas por baixo peso.Moçambique entre os países com a mais alta taxa de desnutrição na região austral Maputo, 8 Maio 2006 – Foi publicado na semana passada, em Nova Iorque, o mais recente relatório sobre a situação nutricional das crianças em todo o mundo - Progresso para as Crianças: Um Relatório sobre a Nutrição. Este relatório, publicado pelo UNICEF, constata que a proporção de crianças menores de cinco anos com baixo peso apenas se reduziu ligeiramente desde a década de 90. Nos países em desenvolvimento, um quarto de todas as crianças abaixo dos cinco anos de idade têm baixo peso. No Malawi, em Moçambique e na Zâmbia, países da África Austral onde a seca e o HIV/SIDA tem afectado negativamente a situação nutricional da criança, uma em cada cinco crianças tem baixo peso. Segundo o relatório Progresso para as Crianças, a nutrição precária continua a ser uma crise mundial que contribuiu para mais de metade de todas as mortes de crianças– cerca de 5.6 milhões por ano. As deficiências em vitaminas e minerais podem não ser aparentemente visíveis mas as suas consequências podem verificar-se a nível de todo o mundo. Estes constituentes críticos são essenciais para o desenvolvimento dos corpos e mentes das crianças. Sem eles, as crianças tornam-se vulneráveis às doenças e têm baixo rendimento escolar. Por exemplo, a falta de iodo na dieta alimentar dos agregados familiares é causa de 37 milhões de recém-nascidos vulneráveis à ideficiências de aprendizagem todos os anos. E, a deficiência em ferro é a maior causa de mortalidade materna. O relatório analisa o progresso a nível nacional e internacional sobre o primeiro Objectivo de Desenvolvimento do Milénio (ODM): erradicar a pobreza extrema e fome até ao ano 2015. Atingir este objectivo significa reduzir à metade a proporção de crianças que têm baixo peso para a sua idade, o sinal mais visível de desnutrição. Porém tendências actuais mostram que o mundo está longe de atingir este objectivo. As médias dos países em desenvolvimento de crianças de baixo peso decresceram apenas cinco pontos percentuais nos últimos 15 anos. Hoje, segundo o UNICEF, 27 por cento das crianças nos países em desenvolvimento têm baixo peso – cerca de 146 milhões. Afirma o relatório que a região da África Oriental e Austral não mostrou nenhum progresso em relação à realização do Objectivo de Desenvolvimento do Milénio, de reduzir a fome para metade. Desde 1990 não se registou nesta região nenhuma melhoria na proporção de crianças com baixo peso tendo, mas pelo contrário, tem aumentado o número de crianças nesta condição nos últimos 15 anos. O relatório aponta como causas principais deste retrocesso os declínios na produtividade agrícola, as recorrentes crises alimentares associadas à seca e conflitos, juntando-se os crescentes níveis de pobreza. Ao mesmo tempo o HIV/SIDA tem sido uma séria ameaça ao desenvolvimento nutricional em países da África Austral tal como o Lesoto, Malawi, Moçambique, Suazilândia, Zâmbia e Zimbabwe, particularmente quando associado às crises alimentares relacionadas com a seca. Dentre estes países, Moçambique é o que apresenta a maior taxa de crianças com baixo peso, equivalente a 24 por cento, sendo a menor encontrada na Suazilândia, com 10 por cento.
Ainda no que respeita à região austral e oriental de África, o único indicador positivo referido no relatório é o aumento do aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses devida, que se situa nos 41 por cento. A América Latina e Caraíbas e Ásia do Leste e Pacífico são as duas únicas regiões do mundo que se encontram na direcção certa para alcançar os ODMs para a redução da prevalência de baixo peso nas crianças, com taxas de prevalência de baixo peso de 7 por cento e 15 por cento, respectivamente. No Sul da Ásia, Bangladesh, Índia e Paquistão conngregam a metade de todas as crianças de baixo peso no mundo. As taxas de desnutrição em países de grandes dimensões da região do Médio Oriente e Norte de África fizeram decair a média da região. Iraque, Sudão e Yémen estão todos a mostrar uma subida de taxas de crianças com baixo peso, em muitos casos devido aos conflictos prevalecentes. Os países da Europa Central e Oriental/e a Comunidade de Estados Independentes têm os casos mais baixos do mundo de ocorrências de baixo peso, apenas 5 por cento. Soluções Porque as causas da sub-nutrição residem na pobreza, falta de educação e desigualdade, a luta para inverter a situação deve incluir muito mais do que aprovisionamento alimentar, de acordo com o Progresso para as Crianças. Práticas precárias de alimentação e ocorrências repetidas de doenças tais como a diarreia e malária são factores principais que retiram nutrientes das crianças. E na África sub-Sahariana, o HIV/SIDA está a roubar à milhões de crianças o devido apoio que precisam para que sejam adequadamente alimentadas e cuidadas. As soluções podem ser tão simples como uma cápsula de Vitamina A que custa pouco mais de alguns cêntimos quando ministrada durante a vacinação – um programa que salva 350.000 vidas por ano. E a fortificação de alimentos de base com nutrientes essenciais tais como o ferro e o iodo já mostraram ser um mecanismo de protecção de milhões de crianças contra deficiências devastadoras e atrasos de desenvolvimento. O relatório apela para “ uma rede de segurança” nutricional para garantir que as crianças tenham acesso a esses serviços todos os dias. Isto significa tornar a nutrição infantil um ponto central das políticas e orçamentos nacionais, garantindo uma melhor informação nutricional e recursos para famílias e para planificar sobre como enfrentar as situações de emergências. Também refere a necessidade de se concentrar em especial nos primeiros dois anos de vida – janela crítica de oportunidade para salvaguardar o futuro potencial das crianças. Corpos e cérebros de pessoas podem nunca mais se recuperar dos efeitos da desnutrição durante este estágio de desenvolvimento na vida. Uma gravidez saudável, bem nutrida é a primeira etapa essencial. E a promoção do aleitamento materno exclusivo é o método mais poderoso para assegurar que uma criança se torne robusta durante a infância. Nota para os jornalistas: O relatório Progress for Children, em Inglês, pode ser consultado na página da internet http://www.unicef.org/progressforchildren/2006n4/ Para mais informação favor contactar: Christiane Rudert, Oficial de Projectos de Nutrição, UNICEF Maputo, 82 327 3200, crudert@unicef.org Ou visite www.unicef.org/mozambique
|