Participación adolescente

LACVOX Red Regional de Adolescentes Comunicadores, América Latina y el Caribe

 

III Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil – LACVOX: Uma união de idéias em prol do combate ao trabalho infantil

© UNICEF TACRO/2010/Ana M. Ortiz
Cassiano Santana.

Por: Cassiano Santana

Ganhador do Concurso LACVOX 2010 em categoria Melhor reportagem de imprensa escrita-15 a 18 anos de idade.

 

13 de dezembro de 2010 - Saímos de nossas casas alegres, ansiosos, vívidos, corajosos, esperançosos e com a mente preparada para o novo. Fomos preparados para ouvir e para, além disso, discutir. A temática: trabalho infantil. Jovens vencedores do II Concurso de Pesquisa LACVOX para adolescentes comunicadores dispostos a expor sua concepção sobre esse mal, cujas implicações são devastadoras.

 

Como vencedores, pudemos participar, juntamente com um acompanhante, do III Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil, em Bogotá, capital da Colômbia, entre os dias 3 e 4 de novembro de 2010. Logo no início, no dia 3 de novembro, fomos apresentados uns aos outros, e ali foram dadas as primeiras instruções por nossos coordenadores do UNICEF. Depois, participamos de uma oficina sobre trabalho infantil e meios de comunicação com as crianças e jovens do Grupo Pró-menino. Seguimos então com atividades similares e, para encerrar o dia, visitamos o Maloka, que é um museu interativo que explora temas em ciência e tecnologia.

 

Dia 4 de novembro, o esperado dia. Logo cedo, tivemos uma reunião para deliberar sobre as responsabilidades de cada equipe ao longo do dia. Seguimos para a Biblioteca Julio Mario Santo Domingo, onde ocorreu o evento, demasiadamente ansiosos, afinal seria um dia memorável em nossa vida. A programação do evento atrasou um pouco e, em decorrência, a primeira-dama colombiana, Sra. María Clemencia Rodríguez de Santos, até então designada para entregar nossos certificados, não poderia mais nos conceder sua presença; todavia, tivemos um encontro com ela, no qual nos parabenizou pessoalmente. Prosseguindo a solenidade, e sendo a mesa composta por representantes do UNICEF, Fundação Telefônica e Organização Internacional do Trabalho, recebemos, sob os aplausos de toda a plateia, os certificados. Um momento inesquecível.  Um momento que estimulou nossas esperanças em um mundo mais justo e coerente com a nossa existência, cuja essência reside no termo humanidade; sejamos então humanos.

 

Memorável também foi a apresentação do Pró-menino. Criativa, impactante, inovadora. Emocionou e depôs nos corações dos que ali estavam presentes, uma esperança num futuro melhor; sem trabalho infantil. Prosseguimos depois com aquela que seria nossa última tarefa nesse magnífico evento; as equipes foram dispostas para cumprir suas responsabilidades. Eu, por exemplo, fui um dos incumbidos de participar das discussões a respeito do trabalho infantil. Produtiva, expressiva, impactante. Nossa comissão discutiu e, ao final, foi proposta que a apresentação fosse apenas expressões dos impactos do trabalho infantil na vida das crianças e adolescentes. Um teatro. Um teatro mudo. Perfeito.

 

Palavras me faltam para descrever essa experiência inigualável que tive desde o início das atividades em Bogotá, Colômbia. Foi um evento edificador de bases mais fundamentadas para a criação de iniciativas em favor dos direitos humanos – e inclui, obviamente, o combate ao trabalho infantil – em minha comunidade, antes apenas um objetivo utópico sonhado por um jovem. Encorajou e reverenciou novas redes contra o trabalho infantil. Um evento que ficará guardado nos corações de todos os jovens vencedores do concurso.

 

Foi magnífico também o compartilhamento de experiências entre os vencedores e seus acompanhantes, pessoas especiais que aceitaram o desafio de adentrar nessa incrível experiência em um país até então desconhecido pela maioria. Nem as barreiras impostas pela língua interferiram nas relações entre todos; medo sim, não posso negar, porém a animação rompia tais barreiras. De fato, foi um prazer conhecer cada um dos ganhadores, acompanhantes e a exímia equipe do UNICEF. Foi fantástico. Inesquecível para todo o sempre. A diversidade de sotaques, ideias, vivências, compartilhada num único ideal: a defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes e, por conseguinte, a esperança na erradicação do trabalho infantil.

 

Fui de uma maneira, voltei de outra. A visão que uma experiência desse tipo fornece é irrefutavelmente enriquecedora. Uma nova visão sobre o mundo, seu país, os problemas de seu país, e até sobre você mesmo. Novas concepções. Novos caminhos a trilhar. E uma infinidade de direções a percorrer em busca de intrínsecos princípios ideológicos. Incentivo. Uma injeção de ânimo no sonhar novos sonhos, diferentes, inovadores; os quais algumas pessoas conformadas, decerto, com a situação em que vivem negam-se a enxergar, estes podem chamá-los de utópicos. Necessita-se de ideais edificadores de um novo habitat comum que seja desfrutado por todos, e não por uma minoria egocêntrica.

 

O encerramento do III Encontro Internacional contra o Trabalho Infantil não representou a estagnação da motivação do LACVOX, ao contrário, como disse, encorajou. Os ganhadores de tal concurso voltaram, assim como eu, para suas casas com uma nova bagagem, recheada de novas concepções e objetivos. Permeada pela esperança em um mundo mais justo, sem esta prática – trabalho infantil – que expõe crianças e adolescentes às margens da exclusão social, negando-os a vida em plenitude; fazendo-os sobreviver, e não viver.

 

Tenho a agradecer o UNICEF, Fundação Telefônica, Organização Internacional do Trabalho e Rede Social Sonico por proporcionar que jovens e crianças exponham-se acerca dos assuntos que afetam sua vida, que as envolvem diretamente. Ouvir a opinião de tais é com certeza uma atitude altamente sóbria dos adultos que deliberam a vida. Tenho a agradecer por entenderem isso e criarem o Concurso Investigativo LACVOX para adolescentes comunicadores. Apoiando esta Rede, a LACVOX, que, certamente, tem um longínquo caminho a trilhar, e esmerados resultados a obter. Tenho também que agradecer aos meus familiares, amigos e a minha escola, o Instituto Federal de Sergipe, pelo apoio incondicional e incontestável ofertado a mim. Obrigado.

 

 
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