Para que o desenvolvimento seja medido por meio de uma avaliação abrangente e inclusiva, é preciso que exista uma forma de avaliação do progresso humano e econômico. Do ponto de vista do UNICEF, é necessário um método consensual para medir o nível de bem-estar da criança e sua taxa de mudança.
A taxa de mortalidade de menores de 5 anos (TMM5) é utilizada na Tabela 10 (páginas 154-157) como o principal indicador desse progresso. Em 2007, o número de crianças que morrem antes de seu quinto aniversário caiu para 9,2 milhões. Em comparação, em 1960, aproximadamente 20 milhões de crianças morriam a cada ano – o que coloca em evidência uma importante redução, no longo prazo, do número global de mortes de menores de 5 anos.
A TMM5 apresenta várias vantagens. Em primeiro lugar, mede um resultado final do processo de desenvolvimento, e não um "fator de contribuição", como nível de matrículas, disponibilidade de calorias per capita, ou o número de médicos por mil habitantes – que representam meios para determinado fim.
Em segundo lugar, sabe-se que a TMM5 representa o resultado de uma grande variedade de fatores de contribuição: antibióticos para tratar pneumonia; mosquiteiros tratados com inseticida para evitar a malária; saúde nutricional e conhecimento das mães sobre saúde; nível de imunização e uso da terapia de reidratação oral; disponibilidade de serviços de saúde para a mãe e para a criança (inclusive atendimento pré-natal); disponibilidade de renda e de alimentos na família; disponibilidade de água limpa e saneamento básico; e segurança do ambiente da criança de maneira geral.
Em terceiro lugar, a TMM5 é menos suscetível à falácia da média do que, por exemplo, a Renda Nacional Bruta per capita (RNB). Isso ocorre porque a escala natural não permite que a probabilidade de uma criança rica sobreviver seja mil vezes maior do que a de uma criança pobre, ainda que a escala feita pelo homem lhe permita ter uma renda mil vezes maior. Em outras palavras, é muito mais difícil que uma TMM5 nacional seja afetada por uma minoria rica e, portanto, esse indicador representa um quadro mais fiel, ainda que imperfeito, das condições de saúde da maioria das crianças (e da sociedade como um todo).
A velocidade dos progressos na redução da TMM5 pode ser medida pelo cálculo de sua taxa média de redução anual (TMRA). Ao contrário da comparação de mudanças absolutas, a TMRA reflete o fato de que só é possível aproximar-se dos limites da TMM5 pela superação de dificuldades que se tornam cada vez maiores. Por exemplo, à medida que são atingidos níveis mais baixos de mortalidade de menores de 5 anos, a mesma redução absoluta representa, obviamente, uma redução percentual maior. Assim sendo, a TMRA reflete uma taxa de progresso mais elevada para, por exemplo, uma redução de 10 pontos se essa redução ocorrer em um nível mais baixo da mortalidade de menores de 5 anos. Uma queda de 10 pontos na TMM5 – de 100 para 90 – representa uma redução de 10%, ao passo que a mesma queda de 10 pontos, mas de 20 para 10, representa uma redução de 50%. Uma porcentagem negativa de redução indica um aumento na TMM5 ao longo do período especificado.
Portanto, quando utilizadas em associação a taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a TMM5 e sua taxa de redução podem dar uma idéia dos progressos que vêm sendo realizados por qualquer país, território ou região, e ao longo de qualquer período de tempo, em direção ao atendimento de algumas das necessidades humanas mais essenciais.
Como mostra a Tabela 10, não há uma relação fixa entre a taxa de redução anual da TMM5 e a taxa de crescimento anual do PIB per capita. Essas comparações contribuem para enfatizar a relação entre progresso econômico e desenvolvimento humano.
Por fim, a tabela fornece a taxa total de fertilidade para cada país e cada território, e a taxa média anual de redução correspondente. É evidente que muitas das nações que conseguiram reduções significativas em suas TMM5 também alcançaram reduções significativas em suas taxas de fertilidade.