pelo Honorável Vabah Gayflor, Ministro de Gênero e Desenvolvimento, Libéria
Garantir que meninas adolescentes tenham um ambiente de apoio para seu crescimento e desenvolvimento, que sejam protegidas contra abusos, exploração e violência, e evitando que assumam prematuramente papéis adultos – por exemplo, no casamento e no trabalho – é uma tarefa particularmente desafiadora em meu país, a Libéria.
Uma adolescente que vive na Libéria:
– provavelmente não freqüentou a escola primária: a escolarização líquida na educação primária para meninas é de apenas 39%, de acordo com as estimativas nacionais mais recentes;
– provavelmente não prosseguirá seus estudos na escola secundária: apenas 14% das meninas com idade para freqüentar a escola secundária estão matriculadas nesse nível educacional;
– corre alto risco de permanecer analfabeta, como 24% das adolescentes e mulheres jovens entre 15 e 24 anos de idade no país;
– corre alto risco de sofrer estupro – o crime mais freqüentemente relatado, sendo as meninas entre 10 e 14 anos de idade as vítimas mais freqüentes;
– provavelmente tem conhecimentos limitados sobre HIV e aids: apenas 21% das mulheres jovens, entre 15 e 24 anos de idade, possuem conhecimentos abrangentes sobre HIV e aids;
– tem alta probabilidade de estar casada ou de viver em união: na Libéria, 40% das mulheres entre 20 e 24 anos de idade casaram-se antes de completar 18 anos de idade;
– tem alta probabilidade de engravidar:a taxa de partos de adolescentes entre 15 e 19 anos de idade é de 221 por mil – a segunda mais alta em todo o mundo;
– provavelmente não dará à luz em um hospital ou centro de saúde, uma vez que apenas 37% dos partos ocorrem em ambientes institucionais;
– provavelmente dará à luz sem a assistência de um agente de saúde especializado, que atende a apenas 51% dos partos;
– corre alto risco de morrer devido a complicações durante a gestação e o parto: a taxa de mortalidade materna é de 1.200 por 100 mil nascidos vivos;
– se tiver menos de 15 anos de idade, corre um risco ainda maior de morrer de causas relacionadas à maternidade: meninas entre 10 e 14 anos de idade têm probabilidade cinco vezes maior de morrer de causas relacionadas à gestação e ao parto do que aquelas entre 20 e 24 anos.
– caso sobreviva à gestação, pode ficar com seqüelas relacionadas ao parto, tais como fístula ou prolapso uterino;
– corre alto risco de morte em conseqüência de sua primeira gestação e das gestações subseqüentes: o risco de morte materna é de uma em 12;
– seu filho pode morrer durante o primeiro ano de vida: aproximadamente um em cada dez bebês morre antes de seu primeiro aniversário;
– provavelmente não receberá apoio de um parceiro, mesmo sendo casada;
– tem pouco ou nenhum recurso para obter proteção contra abusos, exploração e falta de poder.
Para criar um ambiente de apoio para adolescentes na Libéria é preciso, em primeiro lugar, protegê-las contra violência e abuso e garantir que obtenham educação de qualidade.
Também será necessário garantir que as famílias não permitam que suas filhas se casem antes dos 18 anos ou que permitam seu envolvimento em trabalho no qual sejam exploradas.
É necessário que conhecimentos sobre HIV e aids sejam fornecidos aos jovens e que vítimas de violência sexual possam recorrer à justiça.
É necessário investir em cuidados de saúde materna, reprodutiva e básica para milhões de adolescentes do sexo feminino.
Acima de tudo, é preciso que comunidades e sociedades respeitem os direitos de mulheres e meninas, e que tenham a coragem de enfrentar costumes e práticas que as prejudicam e discriminam.
Sob a liderança da Presidente Ellen Johnson-Sirleaf, o governo da Libéria vem lutando para oferecer a proteção de que as adolescentes necessitam e para ajudá-las a adquirir as habilidades necessárias para que possam proteger-se. Recebemos com satisfação o apoio da comunidade de desenvolvimento internacional, que vem nos ajudando a agir de forma rápida e eficaz.
Informações fornecidas pelo UNICEF Libéria.