Práticas básicas para intervenções de cuidados de saúde baseados na comunidade
Inúmeras agências, incluindo UNICEF e OMS, concordaram com as 12 práticas familiares fundamentais para neonatos e bebês, que podem ajudar a promover a sobrevivência, a saúde e a nutrição da criança nas comunidades:
- Aleitamento materno exclusivo: Promover o aleitamento materno exclusivo desde o nascimento até 6 meses de idade. Mães com HIV necessitam de orientação sobre possíveis alternativas ao aleitamento materno.
- Alimentação complementar: Iniciar aos 6 meses de idade. A complementação alimentar rica em nutrientes e simultânea ao aleitamento materno, por no mínimo dois anos, pode evitar mais de 10% das mortes causadas por diarréia e infecções respiratórias agudas, principalmente a pneumonia; e aumentar a resistência ao sarampo e a outras doenças.
- Suplementação de micronutrientes: Aumentar da ingestão de vitamina A por meio da dieta ou de suplementos nas comunidades nas quais foi constatada a deficiência dessa vitamina pode reduzir em 20% a mortalidade de crianças entre 6 meses e 5 anos de idade.
- Higiene: Melhorar as práticas de higiene, principalmente a lavagem das mãos com sabão (ou cinzas) e o descarte seguro das fezes, pode reduzir em 35% a incidência de diarréia.
- Imunização: Vacinar todas as crianças menores de 1 ano de idade contra o sarampo pode evitar a maioria das mortes anuais relacionadas a essa doença. Os cuidadores devem certificar-se de que as crianças recebam a série completa de vacinas antes de completar 1 ano de idade – vacinas contra bacilo Calmette-Guérin (BCG), difteria, coqueluche e tétano, vacina oral contra pólio e vacina contra sarampo.
- Prevenção da malária: Utilizar mosquiteiros tratados com inseticida nos domicílios situados em áreas em que a malária é endêmica pode reduzir em até 23% as mortes de crianças relacionadas à malária.
- Cuidados e desenvolvimento psicossociais: Promover o desenvolvimento mental e social por meio do atendimento das necessidades de cuidados da criança e de conversas e brincadeiras em um ambiente estimulante.
- Alimentação e fluidos para crianças doentes: Não interromper a alimentação e oferecer maior quantidade de líquidos, inclusive leite materno, para crianças doentes.
- Tratamento domiciliar: Dar às crianças doentes tratamento domiciliar adequado para infecções.
- Busca por cuidados: Reconhecer quando uma criança doente necessita de cuidados fora do ambiente do lar, e buscar cuidados em centros de atendimento adequados.
- Práticas adequadas: Seguir a orientação do agente de saúde sobre tratamento, acompanhamento e cuidados referenciados.
- Cuidados pré-natais: Todas as gestantes devem receber atendimento pré-natal adequado. Esse atendimento inclui no mínimo quatro consultas pré-natais com um prestador de cuidados de saúde adequado e as doses recomendadas de vacinação contra o toxóide tetânico. A mãe também merece o apoio de sua família e de sua comunidade na busca de cuidados no momento do parto e durante o período pós-parto e de lactação.
Outras práticas importantes que protegem as crianças incluem: prover cuidados adequados para aquelas afetadas por HIV/aids, principalmente órfãs e crianças vulneráveis; proteger as crianças de lesões e acidentes, abuso e negligência; e envolver os pais nos cuidados com seus filhos.
Muitas dessas ações podem ser realizadas por agentes comunitários de saúde ou pelos próprios membros das comunidades, desde que tenham o apoio adequado e recebam os produtos e serviços necessários. O envolvimento direto da comunidade talvez seja mais adequado para os aspectos dos cuidados de saúde e nutrição que afetam os indivíduos de maneira mais direta e rotineiramente. Esses cuidados incluem alimentar bebês e crianças pequenas, outras práticas de cuidados e o fornecimento de água e saneamento.
Referências
Organização Mundial da Saúde. Improving Child Health in the Community. WHO, Genebra, 2002, p. 7-8.