Ann M. Veneman (fotografia)

Prólogo

Em anos anteriores, o relatório Situação Mundial da Infância publicado pelo UNICEF abordou questões específicas, como HIV/Aids, educação de meninas, nutrição, trabalho infantil e desenvolvimento na primeira infância. A história acumulada mostra imensos avanços em favor da criança, mas também existem áreas nas quais ainda há uma necessidade crucial de realização de progressos.

O relatório deste ano destaca os milhões de crianças que não foram alcançadas pelos benefícios gerados por avanços já realizados – as crianças excluídas ou ‘invisíveis’. São crianças que não têm acesso adequado a educação, a vacinas que salvam vidas, a proteção. Apesar dos imensos esforços empreendidos para levar os serviços necessários a todas as crianças, milhões delas ainda morrem a cada ano.

O mundo concordou com um roteiro em direção a um futuro melhor, na forma dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), inspirados na Declaração do Milênio, adotada em 2000 por 189 países. Os objetivos estabeleceram metas quantitativas para enfrentar a pobreza extrema e a fome, a mortalidade materna e infantil, e o HIV/Aids e outras doenças, promovendo ao mesmo tempo a educação primária universal, a igualdade de gênero, a sustentabilidade ambiental, e uma parceria global para o desenvolvimento até 2015. Os ODMs são uma estrutura para tornar realidade o sonho da Declaração do Milênio de um mundo de paz, segurança, solidariedade e responsabilidade compartilhada.

Estamos em um momento crítico dos esforços internacionais para a realização desse sonho. As apostas são altas: se atingirmos os ODMs, cerca de 500 milhões de pessoas ficarão livres da pobreza até 2015; 250 milhões serão poupadas da fome; e 30 milhões de crianças que viveriam apenas até os 5 anos de idade sobreviverão.

Cada ODM está ligado ao bem-estar da criança – desde a erradicação da pobreza e da fome até o fornecimento de água limpa. O fracasso na busca desses objetivos teria conseqüências devastadoras para as crianças desta geração e para os adultos que essas crianças serão se sobreviverem à infância.

Às atuais taxas de progresso, por exemplo, cerca de 8,7 milhões de crianças menores de 5 anos morrerão em 2015. No entanto, se o objetivo de redução da mortalidade infantil for alcançado, será possível salvar outros 3,8 milhões de vidas. Portanto, alcançar os objetivos é uma questão de vida ou morte – de progresso ou de retrocesso – para milhões de crianças. Será também crucial para o desenvolvimento dos países e das sociedades.

Entretanto, embora centrada nos ODMs, nossa atenção não deve ignorar os milhões de crianças que ficarão de fora ainda que os objetivos sejam alcançados. São essas as crianças com as maiores necessidades: as mais pobres, as mais vulneráveis, aquelas que são exploradas e que sofrem abusos.

Alcançar essas crianças – muitas das quais estão atualmente fora do alcance das leis, dos programas, das pesquisas e dos orçamentos – constitui um desafio. Mesmo assim, o cumprimento de nossos compromissos com relação às crianças só será possível se vencermos esse desafio.

Os ODMs são um catalisador para a melhoria do acesso de todas as crianças aos serviços essenciais, à proteção e à participação, mas não constituem um fim em si mesmos. As crianças em todas as partes do mundo merecem nosso compromisso e nossa dedicação para ajudar a garantir que tenham um mundo melhor onde viver.


Ann M. Veneman (assinatura)

Ann M. Veneman
Diretora Executiva Fundo das Nações Unidas para a Infância