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Adolescentes se articulam e são reconhecidos pela comunidade e pelo poder público no Semiárido mineiro

por Jordânia Furbino

© UNICEF/BRZ/Diego Rocha
Grupo de Adolescentes Mobilizadores do Selo UNICEF produz conteúdos educativos para compartilhar com a população de Mata Verde (MG).

Mal o sol se põe e um som diferente começa a tomar conta da Praça do Mercado, bem no centro de Mata Verde, cidade localizada no Semiárido de Minas Gerais. Aos poucos, vê-se uma aglomeração de pessoas junto a um telão e duas caixas de som. No microfone, Joaquim Caíres, de 16 anos, convida todos que passam por ali a prestigiar mais uma exibição da TV de Rua.

Na tela, vídeos que abordam diferentes temáticas, ora é a história do Grupo de Adolescentes Mobilizadores do Selo UNICEF (Gamob), ora são pequenos conteúdos educativos, que orientam a população sobre a importância do uso de preservativos durante as relações sexuais ou das consequências causadas pelo uso de drogas, entre outros. Os vídeos divertidos e de acesso ao público de todas as idades vão atraindo mais pessoas que passeiam pelo local.

A TV de Rua é uma das ações utilizadas pelos integrantes do Gamob, que conta com a participação de 18 adolescentes e jovens de Mata Verde. O objetivo do grupo é mobilizar meninos, meninas e a população em geral, propiciando a discussão sobre direitos humanos e acesso à cultura. A exibição, que dura um pouco mais de uma hora, busca conscientizar os cidadãos, de forma descontraída, sobre questões que afetam diretamente a vida da comunidade. “Um dos principais problemas no nosso município é a falta de acesso à cultura e a opções de entretenimento. Os adolescentes e os jovens precisam de mais incentivo para melhorar a utilização dos meios disponíveis, como a internet e a televisão, por exemplo. A TV de Rua é uma opção diferenciada de entretenimento, que possibilita exibição gratuita de conteúdos de interesse da população jovem que permitem reflexões sobre os nossos direitos”, destaca a coordenadora do Gamob, Gabriela Nicola, de 19 anos.

Com exibição mensal, a TV de Rua é apenas umas das estratégias de mobilização social utilizadas pelo Gamob. O coletivo também é responsável pelo Se Liga Aê, programa que é apresentado semanalmente na Rádio Comunitária do município, além de um jornal mural e de uma página em uma rede social na internet. Para Luiz Felipe da Cruz, de 15 anos, o grupo é um importante espaço de representação e de formação. “Quando entrei no Gamob, não conhecia os meus direitos. Agora tenho mais acesso à informação e posso debater com outros adolescentes as necessidades da juventude de Mata Verde”, afirma.

Segundo Risélia Dias, articuladora do Selo UNICEF e Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), a criação do Gamob foi fundamental para o processo de mobilização da comunidade de Mata Verde e uma possibilidade para a participação da sociedade civil. “Por meio do grupo, conseguimos disseminar a proposta do Selo UNICEF e envolver vários segmentos da sociedade nas atividades dessa iniciativa, principalmente, as famílias e as comunidades da zona rural. As ferramentas de comunicação foram essenciais neste processo, destacando-se o programa de rádio”, explica.

O grupo de mobilizadores, que surgiu a partir de uma proposta da Comissão Pró-Selo, atualmente é reconhecido perante o poder público e à população. “Não tínhamos voz e vez, e hoje a gente se articula para reivindicar nossos direitos. Um grupo articulado tem mais poder de representação e mais autoridade para correr atrás do que acredita. Eu posso, eu tenho essa capacidade e tenho o direito”, enfatiza Gabriela Nicola. Os integrantes do Gamob participam das reuniões ordinárias na Câmara Municipal, no CMDCA e mantêm diálogo com os gestores públicos.

Para a secretária de Educação do município, Ana Maria Pereira dos Santos, independente da certificação do Selo UNICEF, as crianças, os adolescentes e os jovens são fundamentais para cobrar a continuidade das ações que foram desenvolvidas no município. Nessa perspectiva, Gabriela Nicola afirma, “nós vamos continuar com o grupo, pois temos que manter a articulação dos jovens. O Gamob tem que continuar”.

Os integrantes do grupo destacam que o maior ganho dessa iniciativa é o envolvimento de outros adolescentes, interessados em debater e reivindicar os seus direitos. “O Gamob é especial. Precisamos capacitar outros meninos e meninas para dar continuidade a este projeto. O que é bom tem que continuar”, ressalta a representante do grupo no CMDCA, Érica Pereira Dias, de 18 anos.

Com o encerramento das atividades da edição 2009-2012 do Selo UNICEF, os integrantes do Gamob têm procurado outras formas de manter o grupo em atividade e com reconhecimento público. Para tanto, a iniciativa foi inscrita no III Prêmio Odair Firmino de Solidariedade: Juventude, desenvolvimento e solidariedade, organizado pela Cáritas Brasileira. Esse prêmio tem o objetivo de estimular ações de disseminação e divulgação, além de valorizar experiências de caráter coletivo que defendam e promovam os direitos humanos.

 

 
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