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Atitude faz a diferença no Semiárido mineiro: adolescente utiliza espaços organizados para debater e reivindicar direitos

por Jordânia Furbino

© UNICEF/BRZ/Diego Rocha

Alegre, ousada, extrovertida, vaidosa e, às vezes, polêmica! Esses são os termos que Celina dos Anjos, de 14 anos, utiliza para se definir, e completa dizendo: “eu gosto de argumentar. Se não me dão espaço, eu tento conquistá-lo. Se me convidarem pra uma reunião, eu não vou ficar calada, sempre vou dizer o que eu quero, para mim e para os adolescentes da minha cidade”.

E dificilmente esta garota passará despercebida por algum lugar. Decidida e conhecedora de seus direitos, a adolescente expira atitude e, com essa personalidade, circula por vários espaços políticos da cidade de Jordânia, localizada no Semiárido de Minas Gerais. E são essas características, somadas à disponibilidade, que a fizeram ser convidada para integrar a Comissão Pró-Selo do município e a ajudar na mobilização de crianças e adolescentes.

Em Jordânia, não há escolas da rede municipal na sede da cidade, mas isso não impediu a participação dos meninos e das meninas da área urbana nas atividades do Selo UNICEF. A Comissão Pró-Selo resolveu ampliar as ações também para a escola estadual e, com isso, promover um intercâmbio entre as instituições de ensino e os alunos. Celina cursa o 9º ano do Ensino Fundamental, na rede estadual, e relata que foi muito importante a realização desse trabalho. “Como integrante da Comissão Pró-Selo, eu participei de todas as atividades desenvolvidas no município e das reuniões de articulação. Gostei muito, pois as crianças e os adolescentes não têm tanta abertura para participação e com o Selo nós pudemos dar nossa ideia e ser ouvidos tanto quanto os adultos”, conta.

Para envolver a população nos debates sobre as políticas públicas para a infância e a adolescência, foram desenvolvidas atividades nas escolas e todos os resultados foram apresentados à população durante os eventos de culminância, realizados em espaços públicos e com divulgação para a comunidade. Segundo a secretária de Educação do município, Aline Ferreira Lima da Silva, todas as ações foram desenvolvidas a longo prazo e com trabalho interdisciplinar.

Celina diz que achou muito interessante discutir temas da saúde junto com a educação, o que permitiu o envolvimento de vários jovens. “O melhor foi o tema Saúde na Escola, parceria entre as escolas municipais e estadual. Depois de desenvolver as atividades no espaço escolar, fizemos um grande desfile nas ruas da cidade e, ao final, chegamos à praça, onde também vários serviços de saúde foram ofertados para a população, como a aferição da pressão e glicose, entre outros”, destaca.

Ficar em casa, assistindo à televisão, alheia a todas as discussões políticas não é mesmo o perfil da adolescente. Ela se incomoda com sensos comuns, como aqueles que são usados para se referir a meninos e meninas como “aborrecentes” ou “desinteressados” e faz questão de ser ouvida. Para isso, ela participa de alguns espaços organizados, como movimentos estudantis e religiosos. “Eu tenho que lutar por todos para fazer a diferença. Muitas vezes os direitos só estão impressos em leis, por isso nós temos que batalhar para colocá-los em prática”, diz.

Cheia de sonhos, energia e ideais, Celina pretende estudar Medicina e espera vivenciar um mundo mais justo, com igualdades de direitos e espaço para que todos sejam ouvidos. Em sua avaliação, o Selo UNICEF foi uma oportunidade para fortalecer a inclusão dos jovens e valorizar a participação social. “O Selo é um reconhecimento para o município, mas para nós vai além, pois não estamos fazendo boas práticas só pelo reconhecimento. Queremos continuar com as ações, tirar uma lição do trabalho que foi feito e levar a experiência para o futuro e procurar avançarmos cada vez mais”.

 

 
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