Jovem acredita que pode fazer a diferença não só na sua comunidade, mas na cidade e no País como um todo
Alisson Rodrigues Cordeiro, de 18 anos, encara as escolas como muito mais que simples espaços em que aprende as matérias do currículo formal e faz amigos. Elas são grandes parceiras nas ações pela melhoria das condições de vida de sua comunidade, o Itaim Paulista, na Zona Leste de São Paulo. Como Adolescente Comunicador da Plataforma dos Centros Urbanos desde os 16 anos, Alisson aprendeu a usar as ferramentas de comunicação para se expressar melhor e ajudar outros meninos e meninas a fazer o mesmo. Com outros amigos e a orientação dos educadores da Viração, ele promoveu, por exemplo, oficinas de revistas em quadrinhos em salas de aula, aproveitando para discutir questões como racismo e sexualidade. Ao mesmo tempo em que ensina, também aprende com atividades como essa. A primeira lição – e talvez a mais importante – foi sobre sua própria vida e o seu papel na comunidade. Antes de ingressar na Plataforma, achava que não valeria a pena participar, por tanto tempo, de uma iniciativa pelos direitos das crianças e dos adolescentes de uma comunidade da qual não se sentia parte. Hoje, acredita que pode fazer a diferença não só na sua comunidade, mas na cidade e no País como um todo. Em 2011, Alisson foi um dos adolescentes que realizaram a Consulta às Crianças e aos Adolescentes prevista na metodologia da Plataforma dos Centros Urbanos. A pesquisa permitiu que a comunidade conhecesse melhor os avanços alcançados na garantia dos direitos da infância e adolescência, a partir da opinião dos próprios meninos e meninas. Nesse ano ele participou, ainda, da Conferência Municipal de Juventude e de outros espaços de participação política em São Paulo e em outros Estados. Neles pôde apresentar um pouco das necessidades e propostas para melhorar as condições de vida de meninas e meninos nas comunidades dos centros urbanos, ao mesmo tempo em que aprendia mais sobre a realidade em outras partes do Brasil e em outros países.
Alisson Cordeiro também aproveitou a articulação que o UNICEF fez com a Secretaria Estadual de Justiça e passou a ajudar na gestão deste espaço, que tem como objetivo facilitar acesso à Justiça, por intermédio de serviços públicos de qualidade para a população, e incentivar à cidadania comunitária. Para fazer tudo isso, teve de enfrentar a resistência da família, que não concordava com sua participação na iniciativa. “Tive de fazer um esforço enorme para adquirir conhecimento e quebrar o tabu de que adolescentes não fazem nada pela comunidade”, conta Alisson. Para isso, sempre contou com o apoio dos amigos educomunicadores e, mais recentemente, do namorado. Apesar da pouca idade, Alisson acabou se revelando uma importante liderança no Grupo Articulador Itaim Paulista. “O que dá forças é que todos nós corremos pelos mesmos objetivos e juntos podemos dar as mãos pelo mesmo bem, o bem da nossa comunidade”, diz. Hoje, Alisson administra o tempo entre a militância e o recém-conquistado primeiro emprego, mas não desanima. “Eu sei que posso fazer a diferença”, sempre diz.
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