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Participação política de adolescentes começa cedo no semiárido

© UNICEF
Michelle em discurso durante a Festa Estadual de Certificação do Selo UNICEF, em Fortaleza.

Michelle Martins Rocha sempre teve na família exemplos de participação ativa na política do município. “Mas nunca ninguém da minha família foi candidato. Fui a primeira. Os meus irmãos sempre trabalharam para os candidatos em que acreditavam. Eles são do tipo que, quando acreditam no candidato, correm atrás para que ele cumpra o prometido”, afirma a jovem, hoje com 19 anos.

Não poderia ser diferente com Michelle, essa cearense, cheia de sonhos e com muita vontade de mudar o mundo. Foi por meio das ações em torno da mobilização municipal do Selo UNICEF Município Aprovado que ela conheceu o projeto e se envolveu no tema da Cultura, a partir da edição 2006. Junto com outros adolescentes participou do mapeamento cultural do município de Palmácia, na Região do Maciço de Baturité, a 73 km de Fortaleza, capital do Ceará.

A adolescente engajou-se nos trabalhos do Selo, participando de grupos de discussão e atividades. Na edição 2008, integrou o grupo que desenvolveu o tema da Participação Política de Adolescentes e Orçamento Público. Foram muitos dias e horas visitando as escolas, conversando com outros adolescentes, capacitando outros estudantes, discutindo sobre filmes e estudando muito sobre o tema.

“Eu queria conhecer a política, porque sabia que existe algo diferente do que as pessoas comentam. Queria vivenciar a política no município. Eu nem imaginava um dia chegar a me candidatar, subir em palanque e mostrar minhas propostas. Mas foi por minha participação no Selo que isso aconteceu”, destaca Michelle.

A filha da auxiliar de enfermagem já aposentada Maria de Fátima Martins Rocha e do agricultor Francisco Raimundo Luz Rocha viu por meio da atuação direta no próprio município uma porta para a mudança nas políticas públicas da juventude. Ela estudou bastante em casa, reuniu-se com a equipe municipal do Selo e com os conselhos e decidiu ingressar na vida política para representar a juventude.

“Hoje em dia é raro ver um jovem se interessar pela política partidária. Conversei com os meus colegas da escola para saber sobre apoio, com a equipe do selo, com a prefeitura e a minha família. Daí sai para divulgar minha campanha”, conta Michelle, explicando sua decisão.

O seu propósito era criar e aumentar as oportunidades para a juventude e mostrar um jeito novo de fazer política. Para isso, no seu plano de trabalho, ela deu prioridade a projetos para a comunidade, primeiro emprego, melhoria da educação e cursos profissionalizantes. O retorno do seu trabalho veio ainda durante a campanha. Ela conta que muitos comentavam como é que uma jovem conseguiria fazer alguma coisa pela juventude. “O que eu queria era concorrer e fazer acontecer. Fui bem acolhida pelos jovens do município. Tive apoio, mas não consegui me eleger”, afirma.

Apesar da vitória nas urnas não ter se confirmado, Michelle sente-se realizada por ter mostrado que política deve ser feita com responsabilidade e ação. No período de campanha, ela se afastou das atividades que vinha realizando no Selo UNICEF e iniciou visitas às escolas e comunidades, sempre no horário oposto ao da escola. A noite era dedicada aos comícios.

“Não ganhei a eleição, mas daqui a quatro anos pretendo ser candidata novamente. Vou continuar também com o Selo no município, continuar o trabalho com os jovens, crianças e adolescentes”.

A família de Michelle dá apoio às suas atividades. No município, ela agora é referência nos temas da juventude. Ela comenta que a oportunidade de participar do Selo UNICEF possibilitou novos horizontes. “Eu acho que é uma oportunidade única para os jovens. A maioria deles entrou para ver o que era. No desenvolvimento do projeto, o pessoal foi abrindo a cabeça, conhecendo a política, e muitos trabalharam na campanha pelo voto livre”.

A vida agora reserva novos desafios para ela, que pensa em entrar numa faculdade que seja útil na sua atuação na comunidade. “Não tenho o sonho de ser prefeita. Por enquanto, só tenho certeza de que seria uma boa legisladora”. Enquanto o sonho não se concretiza, Michelle tem no trecho da música Todos Juntos, de Chico Buarque, uma luz para construir uma sociedade mais justa e igualitária: “Todos juntos somos fortes, somos flecha e somos arco, todos nós no mesmo barco, não há nada pra temer”.

 

 
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