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Saúde e alegria pelos direitos da criança e do adolescente no encontro das águas na Amazônia

© Projeto Saúde e Alegria
Fábio coordena o projeto de Educomunicação do Saúde e Alegria. Ele atua em 35 comunidades com cerca de 300 adolescentes.

Fábio Anderson Rodrigues Pena, de 28 anos, nasceu e viveu até seus 16 anos numa comunidade ribeirinha chamada Carariacá, que fica a cerca de duas horas de barco de Santarém, no Estado do Pará. A comunidade tem cerca de 200 famílias. Fábio é formado em Pedagogia e é um dos principais mobilizadores do Projeto Saúde e Alegria – uma ONG que realiza um trabalho sério com as comunidades rurais da região.

A proposta da ONG, quando foi criada em 1987, era inovadora e, ainda hoje, continua única na Região Amazônica. O Projeto Saúde e Alegria trabalha os temas de saúde e educação com comunidades extrativistas dos rios Amazonas, Tapajós e Arapiuns, localizadas na zona rural dos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro – oeste do Estado do Pará. Sua área de cobertura chega a 143 localidades, envolvendo quase 30 mil pessoas.

Fábio Pena foi o primeiro repórter da Rede Mocoronga de comunicação popular, que faz parte do Projeto Saúde e Alegria.

Em 1994, Fábio teve contato com o Saúde e Alegria e participou de várias atividades do projeto. Algumas dessas atividades existem até hoje, como o programa de monitores mirins, voltado para crianças, com oficinas de arte educação, música, educação para higiene pessoal, cuidados com dentes. “Fui um dos monitores mirins, na faixa etária de 6 a 12 anos. Tenho muito boas lembranças dessa época, que havia o circo com a equipe, os educadores. Era uma festa na comunidade, ficávamos esperando o dia em que chegavam”, conta Fábio.

Sua “carreira” como repórter Mocorongo começou a partir de um programa apoiado pelo UNICEF. O programa era uma rede de comunicação com adolescentes e jovens e a equipe do projeto motivava os jovens das comunidades a produzir programas de rádio, vídeo e jornais que falassem de sua realidade, dos seus problemas. “Eu fui coordenador de um desses grupos na minha comunidade”, diz Fábio.

Fábio apenas lamenta que os desafios que enfrentou para estudar em sua época ainda permaneçam. “Existe uma coisa em especial que move o jovem a sair de sua comunidade: o acesso à escola, que é muito difícil. Todo mundo fala que você tem que estudar e que é importante o estudo, mas chega uma hora que acabam as séries na sua comunidade e você faz o quê?”

© Canal Futura
Em outubro de 2007, Fábio participou, em São Paulo, do Seminário Internacional de Comunicação para a Transformação Social, em comemoração aos 10 anos do Canal Futura.

“Os jovens, quando vêm para cidade, querem emprego e não conseguem, vão morar na periferia, muitos caem na marginalidade. Eu vivi também essa história.” Mas Fábio voltou a estudar e concluiu o ensino médio, sem perder o contato com o Projeto Saúde e Alegria. “Comecei um movimento para articular grupos de jovens que também participavam do projeto. Fui estagiário, participei do movimento de adolescentes e jovens, construindo espaços para discutir com as comunidades. E aí nova oportunidade, de novo apoiado pelo UNICEF, de realizar um sonho meu: ser locutor de rádio”.

As oportunidades continuaram surgindo e Fábio foi ainda repórter no Projeto Rádio pela Educação. “Tive a experiência de visitar as escolas das comunidades, uma fase muito legal, de quase dois anos. Na mesma fase, entrei na faculdade de pedagogia.” Depois de concluir a faculdade e viver essas experiências, Fábio agora está de volta ao Saúde e Alegria como coordenador do projeto do qual participou da construção, o jovem pela comunicação – Educomunicação. Ele atua em 35 comunidades com cerca de 300 adolescentes.

O recado de Fábio: “Todo mundo nasce com um potencial, aqui na Amazônia ou em qualquer lugar do mundo, no entanto, depende muito das oportunidades, principalmente na educação formal, mas também nos espaços de participação política – nos quais você aprende a exercer sua cidadania, se expressar e falar o que pensa. Eu participei muito, e isso me ajudou muito a ser quem eu sou. Acho que falta muita oportunidade para os jovens se desenvolverem. Não acho que seja determinante, mas é importante, pelo menos, acreditar no sonho”.

 

 
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