Adolescentes e jovens indígenas identificam e apresentam soluções para os problemas e desafios de suas etnias
Brasília, 19 de setembro – Um grupo de 50 adolescentes e jovens indígenas de 22 etnias brasileiras reuniu-se nesta quarta-feira, 19 de setembro, no Centro de Convenções de Brasília (DF), durante o II Encontro Nacional dos Povos das Florestas, para refletir e identificar os desafios e problemas de suas comunidades e propor possíveis soluções. O resultado das discussões será um diagnóstico inédito das dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas a partir do ponto de vista dos seus próprios adolescentes e jovens em 11 Estados brasileiros – Amazonas, São Paulo, Roraima, Acre, Amapá, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Bahia, Pernambuco, Maranhão, Ceará e Espírito Santo. A atividade foi realizada pelo Movimento de Estudantes Indígenas do Amazonas (MEIAM), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). De acordo com a representante do UNICEF no Brasil, Marie-Pierre Poirier, a participação de adolescentes e jovens em discussões sobre temas que lhes dizem respeito representa a concretização da Convenção sobre os Direitos da Criança e do mandato do UNICEF no Brasil. “Este é um momento único, em que adolescentes e jovens indígenas de todo o Brasil têm a oportunidade de discutir seus direitos e deveres, seus desafios e traçar objetivos comuns para se fazerem ouvidos pela sociedade brasileira”, afirmou Marie-Pierre. Os adolescentes foram divididos em cinco grupos para identificar as dificuldades e desafios de suas comunidades e apresentar propostas de soluções. Os resultados serão reunidos em uma carta a ser anexada ao documento final do II Encontro dos Povos da Floresta, que será entregue para autoridades, instituições governamentais e não-governamentais. “Apesar de sermos povos de muitas etnias e culturas diferentes, vivemos dificuldades muito semelhantes. Unir nossos esforços para encontrar soluções é uma forma de nos fortalecer na conquista dos nossos direitos”, afirmou o representante da MEIAM, Délio Alves, do povo Dessano. O coordenador do escritório do UNICEF em Manaus, Halim Girade, destacou que a participação dos adolescentes e jovens indígenas nas decisões que lhes dizem respeito é crucial, pois eles representam a continuidade de suas tradições e cultura. “Esta geração é responsável pela perpetuação dos costumes, línguas, histórias e manifestações culturais dos seus povos, por isso, é fundamental que façam parte de atividades que representam conquistas para suas etnias”, considerou. Para o oficial de projetos do UNICEF Mário Volpi, o encontro dos adolescentes e jovens indígenas fortalece a presença deles no movimento nacional de protagonismo juvenil. “Suas vozes estão sendo ouvidas a partir da sua própria cultura e tradições, em um esforço de apoiar a organização que esses jovens já possuem, dando visibilidade a essa organização no meio dos outros jovens e das organizações que defendem os direitos dos adolescentes”, avaliou. Dados De acordo com o Censo da Educação Indígena do Inep, 81% dos 93.037 alunos de escolas indígenas estão nessa etapa. Essa realidade está expressa no relatório do UNICEF: 30,9% dos indígenas de 7 a 14 anos são analfabetos, enquanto a média nacional é de 12,4%. Crianças e adolescentes indígenas de 10 a 14 anos têm em média 2,5 anos de estudo, enquanto meninos e meninas brancos da mesma faixa etária alcançam 4,2. De acordo com o IBGE, vivem no Brasil 286.686 crianças e adolescentes indígenas. Cerca de 45% desses meninos e meninas estão em situação de pobreza e metade deles não tem acesso à água potável. O índice de crianças e adolescentes fora da escola também é maior do que a média nacional. O que é participação juvenil? Depoimentos
Informações – Comunicação
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