Crianças entram em campo pelo direito ao esporte seguro e inclusivoNo primeiro jogo após o lançamento da parceria com o UNICEF, jogadores do Flamengo vestem a camisa com a logomarca da organização e mensagens sobre os direitos das crianças Rio de Janeiro, 7 de novembro – Luan Vitor Santos Pereira, de 14 anos, exibia orgulhoso as chuteiras novas quando entrou em campo no Estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro, de mãos dadas com o jogador Ronaldinho Gaúcho, do Flamengo. Presente de um amigo, ele recebeu os calçados há alguns dias, durante uma festa que a comunidade fez em comemoração à sua vida. As que tinha ganhado da mãe, meses antes, ficaram pequenas antes que tivesse tempo de usar: uma semana depois de receber o presente, foi atingido por um tiro que lhe tirou a visão do olho direito, na Escola Municipal Tasso da Silveira, onde cursava o 8º ano do Ensino Fundamental. O adolescente não gosta de falar sobre a tragédia na escola, provocada por um jovem de 23 anos no dia 7 de abril de 2011, que matou a tiros 12 crianças, deixou 10 feridas e se suicidou. Diz que não se lembra de nada. Para Luan, o mais importante ainda está por vir: a colocação de uma prótese na testa para repor a parte do osso afetada pelo projétil. Somente assim poderá ter recuperado seu direito à prática do futebol, seu esporte predileto. Sem ela, não pode cabecear a bola ou correr o risco de cair. Torcedor do time desde pequeno, Luan foi um dos 14 adolescentes e crianças que entraram em campo com os jogadores do Flamengo, no último domingo (6/11), vestindo as camisas azuis do UNICEF, com o slogan “Nosso Time é Nota 10!” no verso, com as bandeiras do UNICEF e do Flamengo. Eles também estavam acompanhados do Diretor Executivo do UNICEF, Anthony Lake; e dos personagens de Mauricio de Sousa Mônica, Embaixadora do UNICEF no Brasil, e Ronaldinho A partida, em que o Flamengo saiu vitorioso por 5 a 1 contra o Cruzeiro, foi a primeira em que o time exibiu a camisa que leva a logomarca do UNICEF, como símbolo da parceria inovadora entre as duas organizações, pela garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes. Para o jogo de estreia, além de na logomarca no peito, a parceria também foi refletida nas costas dos jogadores. Cada atleta exibiu uma mensagem diferente baseada na Convenção sobre os Direitos da Criança e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, tinha a frase “Infância sem discriminação”. E Thiago Neves marcou três gols usando a camisa com o texto “Infância sem bullying”. Além disso, os números de cada jogador foram estilizados a partir de desenhos criados por crianças e adolescentes que participam da Plataforma dos Centros Urbanos no Rio de Janeiro, uma iniciativa que ajuda a reduzir iniquidades que afetam a vida de meninos e meninas das grandes cidades, em especial dos que estão nas comunidades populares. Para chegar aos traços dos números, os profissionais da agência África, de Nizan Guanaes, realizaram uma oficina com meninos e meninas na comunidade do Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro, para que pudessem propor caminhos para refletir em desenhos e pinturas a iniciativa. Com base nessas propostas, os publicitários criaram a arte do verso das camisas do time. Time nota 10 – A parceria entre o UNICEF e o Flamengo está baseada na adesão do time ao compromisso “Meu Time é Nota 10!”, um conjunto de princípios relacionados à proteção e à promoção de direitos de meninos e meninas, atletas e não atletas, dentro e fora do clube. “O UNICEF espera que milhões de torcedores do Flamengo – dentro e fora do País – possam se envolver e divulgar mensagens que ajudem a criar um mundo mais igualitário e justo para todas as crianças”, disse o Diretor Executivo do UNICEF, Anthony Lake. Com a parceria, o Flamengo se compromete a fortalecer suas ações de responsabilidade social e mobilizar seus atletas e 40 milhões de torcedores em favor dos direitos de meninas e meninos brasileiros. Entre as ações, está a adoção de códigos de conduta para dirigentes, jogadores, atletas, técnicos e torcedores. Sanções em caso de descumprimento estão sendo definidas. O Flamengo e o UNICEF esperam que outros times brasileiros também façam parte da iniciativa. Para Luan, a ideia faz muito sentido. “A gente torce para os caras desde pequeno. Tudo o que eles fazem serve de exemplo para nós também”, explica. LEIA TAMBÉM A paixão pelos esportes em favor de crianças e adolescentes. Quando todo mundo joga junto, todo mundo ganha!
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