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Ser adolescente nas comunidades populares do Rio de Janeiro

Em visita ao Brasil, o Diretor Executivo do UNICEF visita comunidade popular no Rio de Janeiro e conversa com adolescentes e jovens sobre os desafios da adolescência e sua participação na busca de soluções

Rio de Janeiro, 5 de novembro – Flaviano da Silva Souza, 17 anos, não esconde o entusiasmo ao falar de uma de suas mais recentes conquistas: a implantação de uma unidade de saúde em sua comunidade no começo deste ano.

A vitória foi alcançada pelo trabalho conjunto realizado por ele, outros adolescentes e adultos que participam do Grupo Articulador Local da comunidade, que faz parte da Plataforma dos Centros Urbanos. Essa iniciativa é realizada pelo UNICEF e seus parceiros em áreas desfavorecidas do Rio de Janeiro e de São Paulo para reduzir as iniquidades que afetam a vida de meninas e meninos.

A comunidade de Flaviano é uma das 49 que participam da iniciativa no Rio de Janeiro. Em São Paulo, outras 45 comunidades também estão engajadas na melhoria das condições de vida de suas crianças e adolescentes.

“Primeiro, para entender a situação das condições de saúde da nossa comunidade, fizemos um diagnóstico e apresentamos os resultados para as autoridades locais, apontando as necessidades não atendidas da população”, explicou Flaviano. “Estou muito feliz por saber que minha voz pode fazer a diferença na minha comunidade.”

Essas e outras histórias sobre a participação e os desafios dos adolescentes em comunidades populares do Rio de Janeiro foram apresentadas na sexta-feira 4 de novembro, em um encontro que reuniu o Diretor Executivo do UNICEF, Anthony Lake, e representantes da UN Habitat, dos governos municipal e estadual, de ONG parceiras, de lideranças comunitárias e os próprios adolescentes.

O encontro foi realizado no Morro dos Prazeres, uma das comunidades populares que participam da Plataforma dos Centros Urbanos.

Ao chegar ao Morro dos Prazeres, o Diretor Executivo foi recebido por Michael Gomes Correa, 18 anos, por Nayara Gonçalves Vieira, 17 anos, e pelas lideranças da comunidade.

Eles mostraram a Lake a associação de moradores e falaram sobre o trabalho realizado pela organização durante o almoço, enquanto assistiam às apresentações culturais feitas por crianças moradoras da comunidade.

Depois do almoço, no mesmo local, o Diretor Executivo do UNICEF, adolescentes e os demais participantes discutiram temas relacionados à saúde, educação e violência.

“Na área de educação, várias questões nos preocupam. As escolas das comunidades não têm a estrutura adequada. As salas são pequenas, falta material, não há espaço para atividades físicas e nem equipamentos como computadores e outros que ajudam a aprender”, diz Landerson Siqueira Soares, 19 anos, morador da Cidade de Deus, outra comunidade do Rio de Janeiro que participa da Plataforma dos Centros Urbanos.

Segundo Thaíza Dandara da Silva, 17, que mora em uma comunidade popular na Ilha do Governador, um dos problemas que os adolescentes enfrentam é o da violência doméstica, da violência contra a mulher e de adultos contra crianças. Segundo ela, alguns adultos usam a força “como forma de educar”.

Thaíza também apontou o problema da violência trazida pelo tráfico de drogas. “É muito difícil viver em comunidades onde quem manda é o tráfico de drogas. No Rio de Janeiro, onde o tráfico toma conta, eles fazem as regras. Eles fecham escolas, proíbem pessoas de circular nas ruas, controlam a vida das pessoas.”

Nayara Gonçalves Vieira, de 17 anos, moradora da comunidade do Borel, lembra que muitas comunidades, como a dela, estão pacificadas.

“Alguns dos problemas relacionados à violência que existiam na comunidade onde vivo foram resolvidos, mas a constante convivência da comunidade com a presença da polícia gera a necessidade de se ter policiais preparados para ajudar a comunidade”, diz Nayara. “E, para isso, precisamos de mais oportunidades de participação no processo de decisões para não deixar todas as questões nas mãos da polícia.”

No encontro, os adolescentes também falaram sobre como estão contribuindo para a solução dos problemas que afetam a vida de meninas, meninos e suas famílias.

Segundo Bruna Cristina Gentil dos Santos, 17 anos, uma forma de participação dos adolescentes acontece por meio dos Grupos Articuladores Locais que participam da Plataforma dos Centros Urbanos, apoiada pelo UNICEF.

“Meu grupo articulador local tem representantes de saúde, da assistência social, da comunidade, da associação de moradores e adolescentes. Nós fazemos reuniões e damos ideias para melhorar o atendimento da saúde, as escolas e também o meio ambiente.”

Bruna explicou que a sua comunidade está preparando um abaixo-assinado que será entregue à Secretaria Municipal de Saúde para trazer os agentes comunitários de saúde e o programa de saúde da família para sua comunidade.

“Enquanto isso (não acontece), nós mesmos estamos fazendo campanhas de prevenção da aids, fazendo panfletos de conscientização e distribuindo camisinhas”, diz Bruna.

O Diretor Executivo do UNICEF perguntou aos adolescentes se eles encontravam algum tipo de oposição às suas atividades e como eles reagem a isso. Bruna explicou: “Isso acontece, mas tentamos sempre mostrar o lado positivo da iniciativa, os benefícios e a importância da prevenção”.

“Estou muito impressionado com a forma como vocês estão procurando soluções. Ao ouvir vocês falarem sobre os desafios enfrentados pelos adolescentes, fica cada vez mais claro para mim que vocês, adolescentes, são as pessoas mais capazes de encontrar novas soluções”, comentou Lake no encontro.

Outros participantes também enfatizaram a importância do diálogo com adolescentes. “Todos conhecem a frase de São Tomé: ‘é ver para crer’. Mas, no caso dos adolescentes, é o contrário. Acreditar nos adolescentes é o primeiro passo para ver resultados”, disse Viviane Manso Castello Branco, Coordenadora de Políticas e Ações Intersetoriais da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

Depois do encontro, o Diretor Executivo do UNICEF foi convidado por Michael, Nayara e outros adolescentes a conhecer de perto o trabalho de mapeamento de áreas de risco ambiental realizado por meninas e meninos das comunidades e desenvolvido em parceria entre o UNICEF, o Massachusetts Institute of Technology (MIT), GeoRio, Rio Águas e Defesa Civil.

Os adolescentes estavam animados em mostrar como eles recentemente foram capacitados para usar smartphones com GPS para localizar e mapear fotos do local em questão em tempo real e para usar uma pipa ou balão para tirar fotos aéreas por meio de uma câmera fotográfica.

Em um campo aberto localizado no Morro dos Prazeres, Michael, outros adolescentes e a líder comunitária Janice Delfim, 25 anos, fizeram uma demonstração com uma pipa e uma câmera. “Com as fotos tiradas lá de cima, podemos ajudar o trabalho da Defesa Civil sobre as áreas e situações de risco de nossa comunidade”, explicou Michael.

A metodologia permite o mapeamento de aspectos específicos de cada comunidade: saneamento, riscos de infraestrutura, espaços sociais (locais onde as pessoas circulam com frequência e que devem ter avisos de alerta em caso de emergência) e atividades de preservação ambiental.

O diálogo do Diretor Executivo com os adolescentes contribuiu para dar visibilidade às iniciativas comunitárias que visam alcançar resultados concretos para melhorar a vida de crianças e adolescentes.

 

 

 

 

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Fotos:
© UNICEF/BRZ/Caffé

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