Relatório do UNICEF: Crise no Chifre da África está longe de terminarNairóbi, 20 de outubro – A resposta internacional maciça à crise de sobrevivência infantil no Chifre da África já mostrou alguns resultados positivos, mas ainda falta muito que fazer para salvar centenas de milhares de crianças em risco de morrer de desnutrição e doenças, disse o UNICEF, em seu relatório sobre a situação naquela região três meses depois de a fome ter sido declarada em partes da Somália. Leia o relatório completo [PDF] (disponível somente em inglês). "Salvamos muitas crianças na Somália, em campos de refugiados nos países vizinhos, bem como nas demais regiões do Quênia, Etiópia e Djibuti afetadas pela seca prolongada, pelo aumento de preços dos alimentos e por conflitos”, disse Elhadj As Sy, Diretor Regional do UNICEF para a África Oriental e Meridional, no lançamento do relatório Resposta à emergência no Chifre da África. "Devido à magnitude da crise humanitária, temos que aumentar nossa resposta imediata e, ao mesmo tempo, assentar as bases para o desenvolvimento em longo prazo, para evitar que uma catástrofe similar volte a acontecer". "Necessitamos mais apoio para ampliar ainda mais nossas intervenções integradas em saúde, nutrição, segurança alimentar, água e saneamento, educação e proteção infantil, para criar um futuro melhor para as crianças no Chifre da África". Aproximadamente 13,3 milhões de pessoas precisam de ajuda. Mais de 450 mil somalis fugiram para os campos de refugiados nos arredores de Dadaab, no nordeste do Quênia, incluídos os 100 mil desde junho passado. Outros 183 mil somalis fugiram para a Etiópia, incluindo mais de 120 mil dos campos de refugiados em Dollo Ado, e 20 mil refugiados foram para Djibuti. Milhares de crianças já morreram e mais de 320 mil – a metade delas no centro e no sul da Somália – estão tão gravemente desnutridas que podem morrer nas próximas semanas e meses, se as operações de ajuda humanitária não forem ampliadas rapidamente. O relatório conclui que a resposta internacional foi extraordinária. Graças a todos o apoio recebido, nos últimos três meses o UNICEF e seus parceiros no Chifre da África alcançaram importantes resultados, que são a base para construir uma resposta mais ampla e que inclui:
O relatório revela ainda que ações específicas baseadas no trabalho com as comunidades, como o Programa Rede de Segurança Produtiva e o Programa de Extensão de Saúde na Etiópia, foram fundamentais na prevenção de taxas mais altas de mortalidade. No centro e no sul da Somália, onde o acesso dos organismos humanitários é limitado, o UNICEF conseguiu chegar a 350 mil pessoas com alimentação suplementar e a aproximadamente 30 mil famílias com refeições prontas, enquanto seguia para os campos de refugiados no Quênia e na Etiópia. As previsões para a temporada de chuvas, que vai de outubro a dezembro, indicam que a segurança alimentar pode melhorar no Quênia e na Etiópia, onde começou a chover recentemente. Contudo, a experiência também mostra que a temporada de chuvas, depois de uma seca prolongada, aumenta o risco de inundações e o surto de doenças mortais, como cólera, malária e pneumonia. No centro e no sul da Somália, a situação vai piorar ainda mais se o acesso humanitário não melhorar de forma rápida e significativa. "Temos que fazer um esforço adicional para chegar a todas as crianças e suas famílias que precisam de nossa ajuda. A crise está longe do fim e, sem dúvida, continuará em 2012”, afirmou Elhadj As Sy, que também é o Coordenador Global de Emergências do UNICEF para a crise do Chifre da África. "Uma coisa está clara: com apoio continuado de nossos parceiros e doadores, nossos esforços farão diferença", concluiu. Para mais informações:
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