IV oficina da Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis: Primeiros Passos para o Desenvolvimento NacionalDiscurso de Marie-Pierre Poirier, Representante do UNICEF no Brasil, na IV oficina da Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis: Primeiros Passos para o Desenvolvimento Nacional Data: 8/12/2010 Bom dia a todos. Inicio minha fala cumprimentando o Excelentíssimo Senhor José Gomes Temporão, Ministro da Saúde; o Excelentíssimo Senhor Paulo Vannuchi, Ministro da Secretaria de Direitos Humanos; a Senhora Liliane Mendes Penello, Coordenadora Nacional da Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis; o Excelentíssimo Senhor Diego Victoria Mejía Representante da OPAS no Brasil, meu colega do Sistema ONU; em nome de quem eu cumprimento todas e todos companheiros e ativistas da rede nacional da primeira infância presentes. Bom dia! Estamos felizes de estar aqui com vocês, porque acreditamos que esta iniciativa, Brasileirinhos e Brasileirinhas Saudáveis, seja mais um dos avanços conquistados na garantia dos direitos das nossas crianças, em especial da primeira infância. Elas confirmam que podemos celebrar. Celebramos a ampliação da agenda da primeira infância no Brasil. Nossas crianças de até 6 anos estão agora sendo reconhecidas como seres humanos com direitos que vão além do conceito clássico da saúde. Parabéns a todos os apresentadores, que compartilharam experiências muito interessantes e ricas – com ênfase na intersetorialidade –, que evidenciam que a estratégia já esta se tornando realidade. Todas as crianças precisam, sim, ser cuidadas desde a gestação, ser amamentadas desde o nascimento, receber todas as vacinas previstas no calendário de imunização, ter acesso a uma alimentação saudável e variada, água potável e saneamento. Mas elas também têm direito a um nome, um sobrenome e uma família; têm direito a viver em comunidade e em um ambiente livre de violência; têm direito a ser amadas e estimuladas; têm direito a brincar e a receber uma educação infantil de qualidade. Porque mais do que garantir um futuro pleno para nossas crianças, é preciso assegurar a cada uma delas um presente digno, em que tenham todos os seus direitos garantidos, respeitados e protegidos. O Brasil está entre os 25 países que mais avançaram na redução da mortalidade infantil em todo o mundo. Nos últimos 20 anos, o País conseguiu reduzir em mais de 60% a média nacional do número de crianças que morrem antes de completar 5 anos. Mas essas médias nacionais escondem ainda disparidades e iniquidades inaceitáveis para um país como o Brasil. Por que um bebê negro tem 25% mais chance de não sobreviver aos primeiros 12 meses de vida e uma criança indígena tem duas vezes mais chance de morrer antes do seu primeiro aniversário do que uma criança branca? Não podemos correr o risco de alcançar o ODM 4 em nível nacional, deixando de fora muitos municípios e populações. Precisamos focar nos mais desfavorecidos para chegar a cada criança, seja ela branca, negra ou indígena, viva no Semiárido, na Amazônia ou nas comunidades populares das grandes cidades brasileiras, tenha ou não alguma deficiência. Um país com o saber do Brasil tem condições de garantir todos os direitos a cada uma de suas crianças. E o UNICEF vai continuar sendo parceiro do governo federal e dos governos dos Estados e municípios – como, aliás, vem sendo nos últimos 60 anos – para assegurar o direito à sobrevivência e ao desenvolvimento pleno de cada brasileirinha e brasileirinho. Estamos seguros de que o investimento na primeira infância constitui a maior e melhor maneira para reduzir as iniquidades, enfrentar a pobreza, prevenir a violência e construir uma sociedade inclusiva, com condições sociais e ambientais sustentáveis. Esperamos que a Estratégia Brasileirinhas e Brasileirinhos Saudáveis seja uma das principais ferramentas para a consolidação de uma forte política nacional para a primeira infância e que o Conanda e a Secretaria de Direitos Humanos possam apoiar o Ministério da Saúde na liderança desse processo. Esperamos também que no próximo governo possamos continuar trabalhando de forma articulada e cooperativa pelos direitos da primeira infância no Brasil para que todas e cada uma das crianças de até 6 anos possam sobreviver e se desenvolver plenamente. Parabéns ao Ministério da Saúde por esta iniciativa. Bom trabalho a todas e a todos. Muito Obrigada!
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