Seis meses após o terremoto: riscos, ajuda e oportunidades para as crianças do HaitiPorto Príncipe/Nova Iorque, 12 de julho – Seis meses após o mais violento terremoto que atingiu o Haiti nos últimos 200 anos, os desafios para satisfazer as necessidades de mais de 800 mil crianças afetadas e suas famílias permanecem imensos. O terremoto deixou um saldo de mais de 220 mil mortos e 300 mil feridos em um país que já era muito frágil. Cerca de 2 milhões de pessoas ficaram sem casa e aproximadamente 1,6 milhão continuam vivendo em campos de desabrigados superlotados. As infraestruturas do Haiti, que nunca foram sólidas, ficaram seriamente afetadas, com 60% dos edifícios governamentais destruídos e mais de 180 mil casas inabitáveis nas áreas atingidas. “O terremoto no Haiti foi um desastre para as crianças, e ainda não terminou”, afirmou Anthony Lake, Diretor Executivo do UNICEF. “O UNICEF e seus parceiros no local estão trabalhando diariamente para salvar vidas e ajudar as crianças a reivindicar seu futuro”, explica. Hoje, água potável está sendo fornecida para cerca de 1,2 milhão de pessoas por meio de parceria entre o UNICEF e outras organizações humanitárias; deste total, 300 mil recebem água diretamente do UNICEF. Mais de 275 mil crianças foram imunizadas contra as principais doenças evitáveis por vacinas. Programas de nutrição estão fornecendo alimentos a cerca de 550 mil crianças menores de 5 anos e mulheres que estão amamentando. Aproximadamente 2 mil crianças que sofrem de desnutrição grave estão também recebendo alimentação terapêutica e cuidados especiais. No total, cerca de 500 mil crianças receberam materiais básicos de educação, 185 mil dos próprios programas do UNICEF. E capacitação especial foi providenciada para cerca de 2,3 mil professores e 3 mil profissionais de educação. O setor da educação foi duramente atingido pela catástrofe: 3.978 escolas foram destruídas ou danificadas – 80% de todas as escolas na zona do terremoto. Isso veio agravar uma situação que já era muito precária: antes do terremoto, menos de metade das crianças em idade escolar frequentavam a escola. Há três meses, o governo, apoiado pelo UNICEF, encarou o desafio de colocar todas as crianças do Haiti na sala de aula. Escolas provisórias vieram, pouco a pouco, restaurar alguma noção de estrutura e estabilidade na vida das crianças haitianas afetadas pelo terremoto e, também, criar espaço para outras iniciativas de saúde e proteção. A prioridade agora é ampliar o acesso a oportunidades de aprendizagem para todas as crianças do país, sobretudo para aquelas mais difíceis de ser alcançadas. Acelerar a remoção dos escombros, encontrar soluções para o realojamento de famílias deslocadas que estão ocupando terrenos escolares e apressar a construção de escolas para assegurar que espaços estejam disponíveis antes do próximo ano escolar são simultaneamente desafios e prioridades para o UNICEF e seus parceiros. O UNICEF está trabalhando também com o governo para aliviar o fardo das taxas escolares num contexto em que 90% das escolas são privadas e não de ensino público. Detalhes da avaliação do UNICEF sobre as condições no Haiti e suas atividades desde o terremoto estão contidas em um relatório, intitulado Children of Haiti: Milestones and looking forward at six months, lançado hoje em Genebra. O relatório está disponível somente em inglês (arquivo pdf) Mais informações: Tamar Hahn Christopher de Bono
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