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Enchentes deixam milhares de crianças desabrigadas em Alagoas e Pernambuco

© Foto VD_Tiago Moraes
Os filhos de Josineide na frente da casa: com as enchentes, a família perdeu tudo mas, com auxílio do governo, crianças vão à escola.

Por Márcia Rodrigues Especial para o UNICEF

Brasília, 29 de junho – As fortes enchentes que atingiram desde o dia 17 de junho os estados do Alagoas e de Pernambuco deixaram um imenso rastro de destruição. Ainda não há dados precisos sobre o número de crianças afetadas, mas as autoridades informam que há mais 150 mil pessoas desabrigadas.

Os dois estados estão localizados no Nordeste brasileiro, região que apresenta alguns dos indicadores sociais mais críticos do País.

Ao todo, 67 municípios de Pernambuco foram severamente atingidos pelas enchentes. Em Alagoas o número de municípios afetados é de 28.

Como resposta, os governos dos dois estados – com apoio do governo federal – têm tomado diversas medidas para apoiar as famílias vítimas das enchentes. Já foram liberados recursos para ações de socorro imediato, construção de casas e de pequenos negócios destruídos pela força das águas. Também foram enviados para a região suprimentos, como alimentos, “kits dormitórios” (colchonetes, travesseiros, toalhas), cestas básicas e outros artigos de primeira necessidade.

O UNICEF vem monitorando a situação nos municípios e ajudando a divulgar os pontos oficiais de arrecadação de donativos. Ao mesmo tempo, está em diálogo com as defesas civis em nível nacional e estadual.

Férias escolares antecipadas - Em Pernambuco, nos municípios mais atingidos, como Barreiros e Palmares, na Zona da Mata Sul do estado, as férias escolares foram antecipadas, de acordo com informações da Secretaria Estadual de Educação, divulgadas nesta quarta-feira, 23 de junho. Muitas famílias ainda se encontram abrigadas na maioria das escolas dos municípios.

Em Vitória de Santo Antão, os festejos juninos foram cancelados. As chuvas deixaram cerca de 270 desabrigados no município. A maior parte já retornou às suas casas e procura, aos poucos, retomar a rotina, com a ajuda dos donativos que têm chegado com certa dificuldade à cidade.

No bairro do Matadouro está localizado uma das várias escolas que têm abrigado famílias que perderam tudo, inclusive suas casas. Trata-se da Escola Municipal Major Manoel Fortunato. Até a quarta-feira, 23 de junho, dez famílias encontravam-se abrigadas no local, entre elas, a de Andresa Maria de Santana, 25 anos, grávida de cinco meses, e mãe de quatro filhos – um menino e três meninas.

Andresa morava no bairro Dr. Bida que, a exemplo do Dr. Alvinho, foi inundado pela enchente do Rio Tapacurá. Ela recebe o Bolsa Escola do governo federal, no valor de R$ 134,00, porque todos os filhos estão estudando. A família dela divide a sala com a família de Aldemir José dos Santos, 25 anos, cujo filho Miguel, de oito meses, está com pneumonia. Na sala ao lado há sete famílias dividindo o espaço. Seis crianças estão alojadas ali. Entre elas, um bebê de apenas dois meses de vida.

Histórias de quem já voltou para casa - Na parte baixa do bairro de Dr. Alvinho, em Vitória de Santo Antão, uma das mais atingidas pela enchente do Rio Tapacurá, muitos moradores resolveram voltar às suas residências já no dia seguinte. É o caso da dona Mirian de Oliveira Mendonça, de 39 anos, que divide a casa com dois filhos, de 19 e 9 anos de idade, e uma nora, grávida de cinco meses.

Moradora do número 145 da rua principal do bairro, Mirian conta que foi levada para um abrigo próximo na noite em que o rio transbordou. Apesar da boa estrutura, sua casa não dispõe sequer de um banheiro, tampouco de água encanada. Assim que a água começou a baixar, ela diz, decidiu voltar.

“Perdi roupas, geladeira, camas, só tenho um colchão e uma mesa que me deram ontem”, conta a faxineira que, enquanto providencia a limpeza da casa, está hospedada na casa de uma amiga, no bairro do Amparo, perto dali.

Um pouco mais adiante, na mesma rua, mora Josineide Maria da Conceição, 36 anos, e seus cinco filhos, com idades entre 18 e 10 anos. A família perdeu tudo com as enchentes. Todos dividem uma pequena casa de apenas três cômodos que, na noite da chuva, foi totalmente tomada pelas águas. A família, por enquanto, usa dois colchões doados para dormir. Conceição não trabalha, mas, como outras pessoas atingidas pelas enchentes, recebe o auxílio Bolsa Família do Governo Federal e todos os filhos estão na escola.

Selo UNICEF Município Aprovado - A região Nordeste tem sido gravemente atingida por enchentes. Em 2009, as inundações provocaram 44 mortes e deixaram milhares de desabrigados.

Em razão da situação de vulnerabilidade de crianças e adolescentes na região, o UNICEF realiza desde 2005, no Semiárido Brasileiro, o Selo UNICEF Município Aprovado, um programa baseado na mobilização social pela garantia dos direitos da infância e adolescência.

Os municípios inscritos no programa comprometem-se a planejar e desenvolver ações para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e outras metas relacionadas às áreas de educação, saúde, proteção, desenvolvimento e participação social de crianças e adolescentes.

O UNICEF promove o desenvolvimento de capacidades de diversos atores para incentivar e qualificar sua participação na elaboração e no fortalecimento das políticas públicas para meninas e meninos de até 17 anos; monitora e avalia o desempenho dos municípios, a partir de um conjunto de indicadores sociais; certifica e reconhece os esforços de municípios que alcançam os maiores avanços na melhoria da vida da infância e adolescência.

Ao mobilizar gestores e a população, a metodologia do Selo tem ajudado a melhorar importantes indicadores relacionados à infância e à adolescência. Entre os resultados alcançados no Semiárido, está a redução da mortalidade de crianças menores de um ano. De 2004 a 2006, esse indicador caiu 15,2% nos municípios da região que foram certificados pelo UNICEF. A média nacional de queda do indicador, nesse mesmo período, foi de 3,1%.

Em paralelo, o UNICEF está discutindo com a Secretaria Nacional de Defesa Civil um plano de redução de risco em desastres, que inclui ações como a preparação de crianças e de famílias para essas situações de emergência.

 

 
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