Em painel do UNICEF, jovens indígenas falam por seus direitos
Por Chris Niles Nova Iorque, 23 de abril – Dois jovens brasileiros viajaram de sua aldeia no sul da Bahia até a sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, para fazer um apelo apaixonado pelos direitos dos povos indígenas. Urapinã Pataxó, 15 anos, e Kâhu Pataxó, 19, vivem na aldeia Pataxó de Coroa Vermelha, localizada em Santa Cruz Cabrália. A aldeia sofre com sua proximidade a destinos turísticos populares. Existem poucas maneiras de as famílias da aldeia ganharem a vida sem ser por meio da venda de artesanato. Os jovens lá correm o risco de se envolver com drogas e trabalho infantil e sofrer violência sexual e discriminação. As crianças são alvos Urapinã e Kâhu falaram ontem em um painel de discussão realizado na sede do UNICEF, em Nova Iorque. Eles vieram para o painel com os pés descalços, vestidos com trajes tradicionais, com cocares de penas coloridas. "Meu povo foi privado de muitos direitos que os seres humanos têm – educação em saúde, lazer. Eles têm direito a um meio de vida digno", disse Kâhu. O respeito pela diversidade cultural
Em seu próprio painel de ontem – que foi pensado especificamente para explorar as questões que afetam as crianças e os adolescentes –, o UNICEF reuniu um grupo que incluía Jessica Yee, membro do Indigenous Youth Caucus, e Ricardo Gomez Agnoli, Diretor da Plan International na Guatemala. "Queremos garantir que a diversidade cultural e os direitos à expressão cultural estejam totalmente integrados no nosso mundo. É um desafio”, disse a diretora-adjunta do UNICEF para Políticas e Desempenho, Elizabeth Gibbons. Ela acrescentou que o envolvimento do UNICEF no passado era fragmentado – e que o 20º aniversário da Convenção sobre os Direitos da Criança, em 2009, trouxe à tona a urgência dessas questões. "Temos de fazer melhor" "Nós podemos fazer melhor e temos de fazer melhor", disse Gibbons. Em resposta às necessidades da sua região, Urapinã e Kâhu formaram o Grupo de Adolescentes Pataxó Promotores de Cidadania e a Comissão de Juventude da Aldeia de Coroa Vermelha, que trabalham com o UNICEF para promover os direitos das crianças e dos jovens indígenas. Os membros desses grupos pesquisaram sua cultura e suas tradições, incentivaram a discussão sobre direitos, encenaram peças e produziram folhetos para distribuição em escolas da aldeia. Apesar dos enormes desafios, eles continuam acreditando que suas vozes estão sendo ouvidas. "Estamos aqui para mudar o futuro – o futuro do nosso povo", disse Kâhu.
Vídeos ![]() 22 de abril de 2010: Urapinã Pataxó, 15 anos, descreve as condições em sua aldeia, que o levou a se tornar um ativista pelos direitos de crianças e jovens indígenas. Vídeos (high) (low) ![]() 22 de abril de 2010: Kâhu Pataxó, 19 anos, observa por que preservar a cultura é tão importante para as crianças e adolescentes indígenas. Vídeos (high) (low) |