Após o terremoto, protegendo mulheres e meninas haitianas contra a violênciaPor Jennifer Bakody Anse-à-Pitre, 29 de março – Os efeitos do terremoto que atingiu o Haiti há cerca de dois meses e meio repercutiram em todo o país. Tanto dentro quanto fora da capital, Porto Príncipe, os progressos alcançados na tentativa de longa data de resolver as questões de direitos humanos – incluindo o problema da violência baseada em gênero contra mulheres e meninas – parecem uma memória distante. Em muitos casos, os mais vulneráveis têm sido vítimas de exploração e abuso. A cidade pequena e isolada de Anse-à-Pitre, localizada na fronteira mais a sul do Haiti com a República Dominicana, tem sofrido em grande parte sob o radar da comunidade internacional. Apesar de todas as casas da comunidade (modestas, de um cômodo) e escolas permanecerem em pé, o fluxo da população é medido aos milhares, o que pressiona a segurança nas fronteiras. Tudo isso destrói a capacidade das famílias de enfrentar os problemas. O comércio em Anse-à-Pitre não tem como progredir. Para piorar, a ajuda e os recursos que já existiam foram desviados para outros locais a fim de enfrentar as necessidades pós-terremoto. Poucas mulheres e meninas se sentem seguras Os seis se encontraram no quintal da pequena casa de cimento situada fora de uma estrada de terra residencial. Apesar da importância que atribuíam a essa reunião, cada um dos três homens e três mulheres presentes ao encontro foi paciente e respeitoso. Sentados à sombra em um círculo de cadeiras de madeira, cada um falou e ouviu por sua vez. Ao final da reunião, o relatório de situação era desolador: como os assentamentos superlotados da capital para as pessoas desabrigadas, as casas modestas das famílias acolhedoras nessa região rural estão sob pressão crescente. A vida diária nos bairros perto de uma tenda ou uma casa de um cômodo tem tirado qualquer aparência de privacidade. Ao cair da noite, latrinas mal localizadas – ou a total ausência delas – exigem que mulheres e crianças saiam às escondidas para áreas sem iluminação. Poucas pessoas se sentem seguras. "Desde o terremoto, como a população da cidade aumentou, temos visto então um aumento dos casos de violência contra as mulheres", disse o juiz de paz de Anse-à-Pitre, Marc-Anglade Payoute. "A polícia e o sistema judicial, nós estamos fazendo todo o possível." A violência sexual não é inevitável Para ela, o problema não é novo nem surpreendente: emergências aumentam a vulnerabilidade de meninas e mulheres à violência baseada em gênero. Ela salienta, contudo, que essa violência pode ser evitada. Mulheres, homens e organizações não governamentais locais, o sistema de justiça, todos os agentes da ONU e os meios de comunicação têm um papel crucial a desempenhar. "A violência sexual não é inevitável", diz Maternowska. "O movimento de mulheres do Haiti tem trabalhado muito e duramente para mudar as leis arcaicas haitianas que colocam as mulheres e meninas em situação de desvantagem grave desde o dia em que nascem. Hoje, no Haiti, grupos de apoio estão ensinando tanto homens quanto mulheres como prevenir a violência, bem como criar espaços seguros para suas filhas." Prevenindo abuso, apoiando os sobreviventes "A informação é fundamental", diz Maternowska, "e colocar essa informação nas mãos de uma sobrevivente pode salvar sua vida. Os cartões de referência que nós desenvolvemos fornecem informações sobre como e onde conseguir os medicamentos essenciais para prevenir a gravidez e o HIV. E, claro, o fornecimento de informação a tempo dá às sobreviventes acesso a tratamento médico completo, apoio psicossocial e justiça." Em parceria com ONGs e outras agências da ONU, o UNICEF apoia os esforços do governo haitiano para incluir assistência a vítimas da violência baseada em gênero como parte de uma abordagem global da saúde de mulheres e meninas. Planos de desenvolver centros de saúde específicos para as mulheres e as meninas estão atualmente em obras nas áreas mais atingidas pelo terremoto – incluindo Porto Príncipe, Leogane e Jacmel. O objetivo dos parceiros é expandir esses serviços até mesmo para os cantos mais remotos do Haiti, incluindo Anse-à-Pitre. Espaços seguros para mulheres e meninas Espaços seguros para mulheres e meninas vão abordar questões relacionadas aos papéis de gênero e à violência por meio de um currículo produzido localmente com base na prevenção da violência baseada em gênero e nos direitos fundamentais. As atividades em grupo como esses fornecem o apoio psicossocial baseado na comunidade de que as mulheres e as crianças do Haiti precisam.
Doações para o Haiti
O escritório do UNICEF no Brasil encerrou, no último dia 1° de abril, sua campanha de arrecadação de recursos para o Haiti.
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