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Comunidades populares de São Paulo avaliam condições de vida de crianças e adolescentes

Atendimento à gestante tem a melhor avaliação; segurança recebe as notas mais baixas, com tendência histórica de piora da situação

São Paulo, 4 de março – Em uma iniciativa inédita, adolescentes e adultos de 55 comunidades populares das cidades de São Paulo e Itaquaquecetuba foram a campo para ouvir a opinião de lideranças, crianças e adolescentes sobre as condições de vida de seus meninos e meninas. O estudo mostra que a sensação dos entrevistados é de que a situação está melhorando lentamente em áreas como saúde e educação, mas vem piorando na questão da violência.

O levantamento faz parte das ações da Plataforma dos Centros Urbanos desenvolvida pelo UNICEF e diversos parceiros. Foram ouvidos 2.148 lideranças e 2.183 crianças e adolescentes durante o segundo semestre de 2009. A metodologia e a análise foram coordenadas pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM), responsável pelas ações sociais do Ibope. Os próprios adultos e adolescentes que moram nas comunidades foram capacitados pelo IPM e as organizações não governamentais Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento (Cieds) e Viração para aplicar os questionários.

“O estudo tem o indiscutível mérito de, além de retratar a opinião dos segmentos ouvidos durante as entrevistas, provocar o envolvimento, a conscientização e o protagonismo dos participantes, ampliando o impacto dos resultados e legitimando seu uso pelos membros da comunidade”, afirma Ana Lima, diretora executiva do IPM.

Em uma escala de 0 a 10, os cuidados pré-natais receberam a maior nota dos entrevistados (8,1). Eles reconhecem que as gestantes fazem consultas regulares e exames e recebem orientação sobre os diversos riscos que podem afetar sua saúde e a de seus bebês. No entanto, após o nascimento, as famílias enfrentam desafios como a falta de tempo para cuidar de seus filhos (nota 3,2) e de espaços e atividades para que as crianças possam brincar (nota 3,3).

Na garantia do direito de meninos e meninas a aprender, aparecem como desafio a oferta de vagas em creches e pré-escolas e de atividades complementares às aulas regulares, queixa tanto das lideranças entrevistadas quanto das crianças e dos adolescentes. Também chama atenção o fato de os alunos dizerem que não encontram na escola um ambiente agradável para o estudo, tanto no que diz respeito à infraestrutura, com banheiros sujos e salas pouco arejadas, quanto às relações pessoais. Eles contam, por exemplo, que não encontram, nas escolas, adultos em quem confiem para conversar sobre as questões que dizem respeito à sua vida.

As condições de segurança em que vivem meninos e meninas das comunidades populares são outro motivo de preocupação. Segundo 32% das lideranças entrevistadas, o problema da violência está piorando com relação aos últimos dois ou três anos. Para 38%, a situação é estável. Vale destacar, no entanto, que os adolescentes atribuem notas acima da média para perguntas sobre sua sensação de segurança na comunidade (6,1) e em casa (8,1).

Outro desafio apontado pelo estudo é a necessidade de se ampliar a participação política e comunitária dos adolescentes. O levantamento mostra que eles não são estimulados a participar e poucos têm a iniciativa de fazê-lo.

Os dados revelam, ainda, que existe um afastamento entre as comunidades populares e as políticas públicas. O nível de insatisfação das lideranças consultadas demonstra tanto o desconhecimento sobre as próprias políticas quanto a sensação de que não são contemplados nem participam de suas definições, inclusive no que diz respeito ao financiamento das ações voltadas para crianças e adolescentes.

A questão racial aparece como outro motivo de exclusão dentro das próprias comunidades. Os adolescentes parecem mais tolerantes com a diversidade, convivendo bem com pessoas de diferentes etnias e origens. Na comunidade, ainda são registrados episódios de racismo, que são enfrentados com pouco vigor.

“Os resultados mostram que a solução de muitos problemas depende das políticas públicas e da aliança com diversos setores. Mas muitas outras questões podem ser resolvidas pelas próprias comunidades. Algumas delas têm encontrado soluções interessantes, que precisam ser reforçadas e replicadas. Por isso, é preciso investir no fortalecimento das lideranças e redes locais. Famílias, crianças e adolescentes também podem ser grandes agentes de transformação de seu entorno”, acredita Anna Penido, coordenadora do escritório do UNICEF em São Paulo.

Plataforma dos Centros Urbanos – A Plataforma dos Centros Urbanos é uma iniciativa do UNICEF, que articula diversos setores da sociedade com o objetivo de garantir os direitos de cada criança e cada adolescente do Brasil, especialmente daqueles que vivem nas comunidades populares das grandes cidades.

A Plataforma está sendo implementada em três municípios – São Paulo, Itaquaquecetuba e Rio de Janeiro –, com a participação de 126 comunidades. Nessas localidades, os resultados serviram de base para a análise da realidade em Fóruns Comunitários, quando foram definidas metas prioritárias para melhorar as condições de vida das crianças e dos adolescentes. As prioridades estabelecidas subsidiam, agora, a elaboração de Planos de Ação. Em 2011, uma nova consulta será realizada para medir os avanços. As comunidades que avançarem no cumprimento das metas receberão um reconhecimento do UNICEF.

A Plataforma dos Centros Urbanos é realizada em parceria com Kimberly-Clark Brasil, MSC Cruzeiros, Fundação Itaú Social, BT, British Airways e Projeto Segurança Humana. Em São Paulo, a iniciativa recebe também apoio da Secretaria Municipal do Trabalho e da Fundação Bradesco.

Para mais informações:
UNICEF: Adriana Alvarenga – (11) 3728 5701
CIEDS: Vivien Zilberman – (11) 3105 2229
Instituto Paulo Montenegro – (11) 5096 4334

 

 
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