Uma pequena cidade da República Dominicana converte-se na porta de entrada para a ajuda humanitária no HaitiPor Tamar Hahn, Assessora de Comunicação do Escritório Regional do UNICEF para a América Latina e o Caribe
Jimani, 15 de janeiro – Jean Paul Gerry tem 7 anos, está sentado na sua cama em um pequeno hospital na cidade fronteiriça de Jimani e geme de dor. Tem o braço e a perna atados e seu rosto está inflamado, com uma bochecha seriamente ferida. Dois de seus irmãos também estão no hospital. Os três ficaram feridos durante o terremoto que arrasou sua cidade natal, Porto Príncipe. O que Jean Paul não sabe ainda é que sua mãe, sua irmã de 18 meses e um irmão que acabara de completar 14 anos morreram durante o terremoto. E, no entanto, Jean Paul encontra-se entre os poucos haitianos afortunados que conseguiram fazer a viagem de 90 minutos entre Porto Príncipe e Jimani imediatamente depois do terremoto e, agora, recebe atenção médica na República Dominicana. Muitas crianças feridas estão ainda na cidade devastada, onde têm acesso reduzido a tratamento médico e estão, em muitos casos, absolutamente sozinhas. Um hospital quase superlotado O hospital é pequeno e está quase superlotado. Há camas por todas as partes: os colchões estão espalhados pelo chão e pelos corredores. Médicos e enfermeiros movem-se freneticamente de uma cama para a outra, fazendo todo o possível para atender os feridos. As lesões das vítimas são principalmente traumatismos nas extremidades, resultado da queda de escombros durante o terremoto. Do outro lado da rua está a Fortaleza do Rodeo, um complexo militar transformado agora em um centro de assistência humanitária. Os soldados dominicanos estão de pé, fora das instalações, desde quando a equipe do UNICEF, OMS, PMA, UNFPA e outros organismos ocuparam seus escritórios para coordenar o fluxo de provisões que chegam ao Haiti. O pessoal de proteção civil dominicano montou suas barracas de campanha no pátio e planeja à sombra dos helicópteros que trazem provisões e levam os feridos. “Isto é só começo” Do lado haitiano, as ambulâncias entram a um ritmo constante. Os carros também passam lotados de famílias haitianas que transportam os feridos com olhares aturdidos e rostos marcados pelo esgotamento. “Isto é só o começo”, diz Pilar Cerdeña, especialista de Emergência do UNICEF. “Conforme os dias passam, mais pessoas tentam chegar aqui e temos que estar preparados”, completa.
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