Imprensa

Notícias

Notícias de 2013

Notícias de 2012

Notícias de 2011

Notícias de 2010

Notícias sobre o Haiti

Notícias de 2009

Notícias de 2008

Notícias de 2007

Concurso Adobe Youth Voices Aspire Awards UNICEF Challenge

Concurso infanto-juvenil de vídeos de um minuto

Materiais para radialistas

Dia Internacional da Criança no Rádio e na TV

Discursos do Representante do UNICEF no Brasil

Artigos

Outros discursos

Expresso 227

Contatos

 

Humanização da saúde indígena chega aos Tembés

Oficina com equipes multiprofissionais de saúde e indígenas será realizada em Tomé-Açu

Belém, 17 de novembro – Durante três dias, equipes multidisciplinares de saúde indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena Guamá-Tocantins da Funasa, profissionais de saúde do município de Tomé-Açú, representantes indígenas Tembés, técnicos da Secretaria de Saúde do Estado do Pará, por meio das coordenações Estadual de Humanização e de Saúde dos Povos Indígenas, e representantes do UNICEF participam da primeira Oficina Humanizasus: Diretrizes e possibilidades no contexto indígena. A realização da oficina é parte do projeto “Etnicidade, Humanização e Saúde Indígena” do UNICEF em parceria com a Funasa, Secretaria de Estado de Saúde e Museu Paraense Emílio Goeldi. A oficina acontecerá em Tomé-Açu, entre os dias 18 e 20 de novembro.

O objetivo da oficina – a primeira das duas que serão realizadas – é discutir diretrizes e possibilidades, no contexto indígena, para apresentar e discutir o tema Humanização norteada na Política Nacional de Humanização (PNH), sendo direcionada para o contexto indígena e associando ao subsistema de atenção à saúde indígena. A oficina trabalhará ainda a valorização dos diferentes sujeitos no processo de saúde indígena; o acolhimento e sua relevância ética e política; a mudança de relação profissional/usuário indígena e sua rede social; a ambiência como espaço social, profissional e de relações interpessoais que deve proporcionar atenção acolhedora, humana e resolutiva; a clínica ampliada e a capacidade de equilibrar o combate à doença com a produção de vida; entre outros.

A realização dessa oficina com os índios Tembés é mais uma etapa do projeto “Etnicidade, humanização e saúde indígena: promovendo a saúde de crianças e adolescentes indígenas”, que já beneficiou as etnias Gavião e Wai-wai (Pará). Entre as metas do projeto, estão o desenvolvimento de capacidades dos profissionais de saúde e gestores para atenção à saúde com qualidade e humanizada a população indígena e o desenvolvimento de competências familiares possibilitando o fortalecimento de sua autonomia e reconhecimento da cidadania plena dos povos indígenas.

De 2008 até o momento, foram realizadas oficinas com o mesmo tema com os índios Wai Wai e Gavião e ainda um terceiro encontro de balanço, o Colóquio “Etnicidade, Humanização e Saúde Indígena: Diretrizes e Perspectivas”, ocorrido no segundo semestre deste ano. Foram definidos, nesse Colóquio, indicadores de monitoramento e avaliação das ações de humanização. Os indicadores definidos serão monitorados pelas equipes de saúde locais. Ainda nesse encontro, foram avaliadas todas as etapas de execução do projeto.

O Projeto Etnicidade quer fazer valer os direitos da criança e do adolescente indígena. Iniciado com as etnias Gavião e Wai Wai, agora chega aos Tembés. Ele é uma resposta ao desafio da inclusão social e da eliminação de todo e qualquer tipo de discriminação, promovendo a garantia do acesso aos serviços de saúde com atenção de qualidade e humanizada.

As oficinas
Outros temas que compõem a pauta das oficinas visam aprofundar conhecimentos do marco legal, entre eles: Direitos dos Povos Indígenas (Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas de 13 de setembro de 2007 – Assembléia Geral da ONU); Política Nacional de Atenção a Saúde dos Povos Indígenas (Portaria do Ministério da Saúde n˚ 254 de 31 de janeiro de 2002); Diretrizes da Gestão da Política Nacional de Atenção a Saúde Indígena (Portaria do Ministério da Saúde n˚ 70 de 20 de janeiro de 2004); Estatuto da Criança e Adolescente; Deliberações da Conferência Estadual dos Povos Indígenas do Pará; Política Nacional de Humanização.

Também serão sistematizados os referenciais teóricos sobre humanização na saúde, abordando produção de saúde; acolhimento; modelo de atenção e gestão na perspectiva de reorganização das ações e serviços de saúde; classificação de risco; clínica ampliada; prontuário transdisciplinar; projeto terapêutico; trabalho em saúde indígena; Grupo de Trabalho de Humanização Indígena (GTHI); e monitoramento e avaliação.

Saúde indígena no Pará
Distribuídos em 562 terras indígenas, vivem em aldeias hoje no Brasil cerca de 358.000 índios, o equivalente a 0,2% da população brasileira, de acordo com dados da Funai, 2005. Além destes, estima-se que entre 100 mil a 190 mil índios vivem fora das terras indígenas e cerca de 50 grupos são desconhecidos. Na Amazônia Legal Brasileira encontramos 70% das 227 etnias, falantes de mais de 180 línguas diferentes.

A característica principal da população indígena do Brasil é a sua grande heterogeneidade cultural. Vivem no Brasil desde grupos que ainda não foram contatados e permanecem inteiramente isolados da civilização ocidental, até grupos indígenas semiurbanos e plenamente integrados às economias regionais. Independentemente do grau de integração que mantenham com a sociedade nacional, esses grupos preservam sua identidade étnica, autoidentificam-se e são identificados como índios.

O Pará é habitado por aproximadamente 30 mil índios de 49 etnias, distribuídos em 67 reservas indígenas, num total de 30.526.315 hectares que correspondem a 23,15% da área territorial do Estado, segundo os dados da Diretoria de Assuntos Fundiários da Fundação Nacional do Índio.

Os povos indígenas vivem experiências desiguais, quando comparados com a população branca, ao nascer, viver, adoecer e morrer, apesar da crescente melhoria do Índice de Desenvolvimento Humano. Assim, uma vez que se queira identificar o segmento mais vulnerável na escala de proteção dos direitos humanos, certamente, encontraremos as crianças e os adolescentes indígenas inseridos nesse contexto.

No que diz respeito à saúde pública, apesar da significativa redução da mortalidade infantil no Brasil, os avanços registrados pelas médias nacionais não expressam iniquidades regionais por raça e etnia. A taxa de mortalidade para a população indígena é de 48,5 por mil nascidos vivos, significando 138% maior do que para a população branca, que apresenta uma taxa de 20,3 por mil nascidos vivos. O índice médio de mortalidade da criança indígena até os 9 anos de idade é quase o dobro do índice médio de mortalidade da criança não indígena, revelando que há uma diferença significativa na garantia do direito à saúde pelo simples fato de ser a criança indígena ou não. Em termos comparativos por regiões brasileiras, na Região Norte, a população é predominantemente indígena e negra, a probabilidade de morte de crianças até 1 ano é 1,5 vezes maior que no Sul. É importante registrar que os dados citados podem estar subestimados, em decorrência principalmente da subnotificação de óbitos infantis na Região Norte.

Portanto, diante desse quadro e da necessidade de fazer valer os direitos da criança e do adolescente indígena Tembé, o UNICEF, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará e a Fundação Nacional de Saúde propõem, inclusive em resposta ao desafio da inclusão social e da eliminação de todo e qualquer tipo de discriminação, promover a garantia do acesso aos serviços de saúde com atenção de qualidade e humanizada, partindo-se da compreensão como estes povos lidam com corporeidade, saúde e seus intricados mecanismos religiosos e sociais.

Mais informações
Ida Pietricovsky Oliveira
Assessora de Comunicação do UNICEF
Telefone: (91) 3073 5700
E-mail: ipoliveira@unicef.org

 

 
unite for children