Saúde e prevenção nas aldeias indígenas* Por Paulo Lima, enviado especial da Viração a Manaus
Manaus, 24 de junho – "Nós, jovens e adolescentes indígenas, estamos preocupados com o avanço do alcoolismo, das drogas e do HIV/aids em nossas aldeias. Mas também há outro grave problema, o do suicídio." O alerta do jovem indígena Délio Alves, do povo Dessano, foi destaque neste primeiro dia do quarto encontro regional do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, que acontece de 24 a 26 de junho, em Manaus. Délio apresentou experiência de consulta e oficinas sobre HIV/aids e adolescentes e jovens indígenas realizadas em duas grandes regiões da Amazônia, Alto Rio Negro e Alto Solimões, na fronteira do Brasil com Colômbia e Peru. "Nosso projeto tinha como objetivo principal ter nossos direitos não apenas preservados e garantidos, mas também ampliados. Procuramos mobilizar adolescentes e jovens de diferentes etnias para conhecer suas realidades, compartilhar sonhos, debater desafios e soluções a partir de seus próprios relatos", conta Délio. A iniciativa conta com o apoio da Confederação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), do UNICEF e da Oficina Escola de Lutheria da Amazônia (Oela). São estes os principais problemas para os indígenas: água, drogas, violência, lixo, alcoolismo, suicídio, aborto na adolescência, falta de área de lazer, asfaltamento, segurança e conhecimento sobre as drogas. Os problemas e as soluções apresentados pelos adolescentes e jovens indígenas, segundo Délio, não diferem daqueles dos centros urbanos ou zonas rurais. "Agora temos adolescentes multiplicadores que vão trabalhar conteúdos relacionados à saúde e prevenção, com informação qualificada. Para isso, elaboramos cartilhas sobre doenças sexualmente transmissíveis e HIV/aids nas próprias línguas indígenas, para que eles possam falar do assunto com seus pares em suas próprias línguas", explica Délio. Encontros regionais
|