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Sergipe sedia encontro sobre educação no campo

Por Joyce Peixoto*

Sergipe, 23 de outubro – Debater a importância da utilização de práticas educacionais que valorizem e reconheçam a realidade local das comunidades do Semi-árido e traçar estratégias para implementá-las nos 36 municípios sergipanos que integram a região. Esses são os principais objetivos do seminário A Educação no Campo no Chão do Semi-árido Sergipano: Encontros e Caminhos.

Iniciado na noite desta quarta-feira, dia 22, o evento reúne cerca de 150 representantes da sociedade civil organizada, educadores e gestores públicos comprometidos em unir esforços dos diversos setores para a construção de uma proposta de educação do campo para a convivência com o Semi-árido. Os participantes do Seminário deverão apoiar os municípios na formulação e/ou fortalecimento de políticas públicas que garantam o acesso e o sucesso das crianças e adolescentes na escola.

Promovido pelo UNICEF, Governo de Sergipe e Comitê Estadual da Educação do Campo (Educampo), com o apoio da fundação americana Prudential, o evento prossegue até a sexta-feira dia 24, no Hotel Delmar, localizado na Orla de Atalaia, em Aracaju (SE).

Para recepcionar os convidados, o Seminário contou com a participação de uma Banda de Pífano formada por crianças de Poço Verde, município do sertão localizado a 145 km da capital sergipana, que animou a platéia e mostrou um pouco da riqueza cultural da região.

Em seguida, foi formada a mesa de abertura do evento que contou com a presença da Secretária do Estado da Inclusão, Assistência e Desenvolvimento Social, Ana Lúcia Menezes, representando o Governador de Sergipe, Marcelo Déda; o Secretário do Estado da Educação, José Fernandes de Lima; o Coordenador do Escritório do UNICEF para os Estados de Sergipe e Bahia, Ruy Pavan; a presidente do Comitê Educampo, Amarize Cavalcante; a Presidente da União dos Dirigentes Municipais da Educação de Sergipe (Undime-SE), Tereza Cristina Cerqueira; o prefeito reeleito de Poço Verde, Antônio Dória, representando os demais gestores públicos; e o técnico da Fundação Prudential, Renné Deida.

“Este seminário pretende ser um marco para a melhoria da educação no campo”. Foi com essa afirmação que a presidente do Comitê Educampo deu início aos trabalhos da noite. Para ela, os participantes do Seminário devem aproveitá-lo como um espaço rico para debate e troca de experiências, levando em conta as experiências já bem-sucedidas em relação à temática, mas refletindo e buscando uma ampliação de olhares. “Nosso desafio é romper com o método de aprendizado atual, que não leva em conta as características e potencialidades do Semi-árido. Mas, para isso, é preciso contar com o apoio das Secretarias Municipais e Estadual de Educação, dos movimentos sociais e dos educadores em geral”, alertou Amarize Cavalcante. Para ela, o investimento na educação contextualizada significa uma contribuição para a construção de saberes, em que deve ser levado em conta o direito de estudar onde se vive e o reconhecimento das características locais como forma de estimular o aprendizado.

O Coordenador do UNICEF para os Estados de Sergipe e Bahia explicou que o seminário deve ser encarado como um ponto de partida e que todos os participantes devem se sentir comprometidos em repassar os conhecimentos adquiridos no encontro. “Este encontro está pautado na apresentação de práticas bem-sucedidas e que podem ser replicadas em qualquer município”, explicou Ruy Pavan.

Na ocasião, o representante da Fundação Prudential frisou a importância do evento e reafirmou o compromisso da organização em continuar apoiando ações que promovam uma melhor qualidade de vida para crianças e adolescentes. “Há muito tempo investimos em projetos sociais ligados à educação. Nós sabemos como esses esforços são importantes. Estamos orgulhosos de ser parte desta iniciativa”, destacou René Deida.

O Secretário de Estado da Educação afirmou que o Estado não tem medido esforços em busca da melhoria do processo educacional em Sergipe e o apoio à realização do Seminário é apenas uma das ações em busca de uma mudança do sistema atual de ensino. “Nós fomos historicamente acostumados a pensar a educação de maneira excludente, a partir da visão de uma determinada elite, e àqueles que não se enquadravam no padrão eram excluídos”, ponderou. Para Lima, para que se tenha uma educação eficiente para crianças, adolescentes e jovens do campo, os gestores e educadores não podem desprezar os saberes e as experiências da região.

Palestra – Educação no Contexto do Semi-árido: um Novo Olhar, Novas Possibilidades. Este foi o tema abordado pelo membro da Secretaria Executiva da Rede de Educação do Semi-árido Brasileiro (Resab), Edmerson dos Santos Reis, que também é professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e Doutorando em Educação pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Durante sua palestra, Edmerson propôs reflexões ao público sobre a imagem que a população brasileira ainda tem sobre o Semi-árido. “Ainda há muitos que ligam o Semi-árido à questão da terra seca, do gado morto, do indivíduo matuto e a mídia tem um papel importante para a manutenção dessa visão, pois quase sempre mostra a região com esse olhar”, criticou.

Para ele, essa versão caricaturada do Semi-árido acaba sendo assimilada como sendo verdadeira até mesmo pelas pessoas que vivem na região, fazendo com que muitas não percebam a riqueza e diversidade sociocultural do meio em que vivem. Além disso, a problemática torna-se maior ao se levar em conta a dívida histórica das três esferas do poder público em relação aos municípios sertanejos. Segundo Edmerson, uma das estratégias mais importantes para reverter esse quadro é a real implantação de uma metodologia educacional que promova o reconhecimento e a convivência com o Semi-árido.

Entre os pontos que caracterizam essa nova maneira de pensar a educação para o homem do campo, ele chamou atenção para a necessidade de que os educadores apresentem em sala de aula conhecimentos que façam sentido para a realidade vivida pelas crianças e adolescentes e que sejam condizentes com a realidade em que elas estão inseridas. Edmerson frisou ainda que, para isso, é preciso que haja uma democratização da educação, um maior investimento na formação dos professores e a conscientização de que a proposta metodológica de convivência com o Semi-árido não seja encarada como uma continuidade daquilo que já se faz nas áreas urbanas, nem como apenas mais um recurso a ser explorado, mas como uma possibilidade de respeito e valorização dos sujeitos que ali vivem e um instrumento de qualificação educacional atrelado a um projeto maior de desenvolvimento sustentável do campo brasileiro. 

* Jornalista do Instituto Recriando

 

 
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