Seminário Internacional Ensino Médio – Direito, Inclusão e DesenvolvimentoSeminário internacional discute desafios e oportunidades do ensino médio
Buenos Aires, 3 de setembro – Garantir uma educação secundária inclusiva e de qualidade para todos e cada um dos adolescentes é um dos grandes desafios educacionais da América Latina. Essa foi uma conclusão que se fez presente nas falas dos ministros da Educação da Argentina e do Chile, Juan Carlos Tedesco e Mónica Jimenez, respectivamente, e da secretária de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC) brasileiro, Maria do Pilar Lacerda, durante a abertura do Seminário Internacional Ensino Médio – Direito, Inclusão e Desenvolvimento. O evento, que está sendo realizado de 2 a 5 de setembro, em Buenos Aires, foi organizado pelos escritórios do UNICEF da Argentina, Brasil e Chile, com apoio dos Ministérios da Educação dos três países, Tedesco, em sua fala de abertura, reforçou que "um dos problemas mais importantes e mais difíceis da agenda contemporânea é a escola secundária". Para Pilar Lacerda, o acesso ao ensino médio é essencial para garantir aos adolescentes o direito de exercer suas cidadania. É preciso reverter a lógica vigente, em que "a sociedade vê com naturalidade a exclusão". Para se ter uma idéia, apesar de o Brasil ter avançado bastante nos últimos 10 anos, ainda é grande o caminho a ser percorrido para garantir, por exemplo, que os jovens de 19 anos tenham completado a educação básica. No Brasil, apenas 38% conseguem esse objetivo. No Nordeste, esse número cai para apenas 22%. Esse Seminário Internacional tem por objetivo gerar um espaço acadêmico, político e técnico que contribua para o debate sobre ensino médio na região. Participam representantes de governos, pesquisadores, diretores de escolas, professores e estudantes da Argentina, Brasil e Chile, além de representantes da sociedade civil, do setor privado e das universidades. O evento também analisa os desafios de se incluir o ensino médio na escolarização universal e obrigatória. Chile e Argentina já têm 12 anos de escolaridade obrigatória e o Brasil só recentemente ampliou de oito para nove anos essa exigência. Os debates mostraram que universalizar o ensino médio e torná-lo obrigatório requer mudanças tanto nos aspectos da qualidade e da oferta quanto em termos de financiamento, gestão e formação de recursos humanos. Essa decisão extrapola o campo de atuação das políticas educacionais, demandando ações complementares em outras políticas públicas como as da assistência e do trabalho para jovens. "A educação secundária nos dá grandes potencialidades para romper um ciclo herdado que temos na região, que é o ciclo da pobreza", ressaltou Nils Kastberg, diretor do UNICEF para a América Latina e o Caribe. Ele lembrou que, para que a educação dos adolescentes seja de fato transformadora, é preciso ir além do acesso e garantir a qualidade da educação. Para garantir o olhar e a voz dos adolescentes, vinte jovens do Brasil, Argentina e Chile participam do evento falando, a partir de seus pontos de vista e de suas experiências, sobre o que devemos melhorar na educação e como devemos fazê-lo. Entre suas reivindicações, está a criação de espaços qualificados de participação e de um mais amplo diálogo com a direção, com os professores e funcionários de suas escolas. Para isso, ressaltaram a importância de ser criar e fortalecer os grêmios escolares e outras organizações de estudantes do ensino médio. Outra demanda presente nas falas dos adolescentes, foi a necessidade de se melhorar a infra-estrutura das escolas e oferecer e melhorar os laboratórios de ciências e as áreas esportivas. Ficou clara também a importância de uma educação contextualizada em relação aos territórios, às culturas e às realidades em que vivem. Para mais informações
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