Lázaro Ramos pede melhoria da educação para crianças do Semi-árido
Aproveitando intervalo das gravações da série global O paí ó, em Salvador, o ator baiano participa de seminário e incentiva gestores públicos e educadores a investirem numa proposta de educação voltada para o campo e que promova a convivência com o sertão “Se você fosse uma árvore, que tipo de árvore gostaria de ser? Uma árvore grande que dá sombra aos viajantes cansados? Uma árvore pequena na beira de um rio? Uma árvore que dá frutos no outono e flores na primavera? Ou uma árvore com crianças e passarinhos?”Contando uma história escrita pela autora Nye Ribeiro, a pequena Laiza Damião, de 12 anos, chamou a atenção de uma platéia de cerca de 250 pessoas – incluindo o governador da Bahia, Jaques Wagner, gestores públicos e educadores – para a importância do respeito ao jeito de ser de cada pessoa. E com esse depoimento, a garota abriu ontem o seminário Educação e Convivência no Campo: avanços e desafios para o Semi-árido baiano, no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador. Promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Rede de Educação do Semi-árido Brasileiro (Resab) e Governo da Bahia, o evento promoveu o debate em torno de uma proposta de educação no campo e para a convivência com o Semi-árido. A nova proposta deve respeitar e valorizar o contexto social, cultural, político, econômico e ambiental da região, além de promover o aprofundamento da compreensão das crianças e adolescentes sobre o lugar onde vivem, seu povo e especificidades do seu entorno. Aproveitando um intervalo das gravações da série global O paí ó, o ator baiano Lázaro Ramos, aliado do UNICEF em ações de promoção dos direitos da infância e da adolescência, também marcou presença no encontro. “Estou aqui para ser uma voz de incentivo. Fui criado no bairro do Garcia, em Salvador, e tive a oportunidade de estudar num centro urbano. As crianças do Semi-árido também têm o direito de aprender. Promover uma educação específica para essa região é urgente”, afirmou. Antes de voltar para o local das filmagens, no Pelourinho, Lázaro recitou um poema do arte-educador de Curaçá/BA, Demis Santana, reafirmando a educação para a convivência com o Semi-árido: “jovens estudam a sua realidade; e nem pensam mais em retiração; e sabem separar mentiras das verdades; nas promessas feitas em tempo de eleição; é assim que se procede nessa terra; é assim que se procede no sertão”. O seminário foi o primeiro evento promovido pelo UNICEF que contou com a participação do ator. “Isso dimensiona a importância do tema para a instituição. Lázaro comprou a idéia e deu o seu recado, valorizando os municípios com sua presença simbólica”, disse Ruy Pavan, coordenador do escritório do UNICEF para a Bahia e Sergipe. Segundo ele, o objetivo do encontro foi alcançado.
“Os participantes foram estimulados a levar novas metodologias para a rede pública de ensino. O Governo do Estado deverá construir um plano de apoio aos municípios na promoção da educação no campo. A Secretaria Estadual da Educação aceitou a proposta de transformar o projeto Baú de Leitura numa política pública, levando a experiência para 52 municípios do sertão baiano, dando prioridade aos de mais baixo IDH. E os educadores vão fazer a transição com os novos secretários municipais. Não estamos num momento de chegada, mas no ponto de partida de um processo”, concluiu Ruy Pavan. “Estamos remodelando a educação, uma pré-condição para mudar a realidade do campo”, afirmou Adeum Sauer, secretário de Educação da Bahia. “É inadmissível viver num Estado com 2,1 milhões de analfabetos. Essa deve ser uma ferida de cada um e não só do governador e do secretário de Educação. Estou aqui neste ato não pela liturgia do poder, mas por convicção. Que este seminário adense caminhos pra gente continuar”, disse o governador da Bahia, Jaques Wagner. Experiências de educação no campo – Para o engenheiro agrônomo e biólogo Humberto Torres, da Diretoria de Educação e Diversidade da Secretaria Estadual da Educação (SEC), a retomada do diálogo entre o governo e os movimentos sociais, desde 2007, ampliou as chances da Bahia de alcançar bons resultados com o programa federal Saberes da Terra. Até 2010, a iniciativa deverá beneficiar 5,7 mil agricultores familiares, com idade entre 18 e 29 anos, de 66 municípios do Semi-árido. “Os jovens vão cursar o ensino fundamental profissionalizante. A Uneb fará a formação de cerca de 400 professores, usando uma metodologia construída com o apoio de diversas entidades da Resab. Temos uma proposta ecologicamente sustentável, socialmente justa e culturalmente aceita. Vemos o prazer do aluno de voltar para a sala de aula”, explicou Torres. Das 65 escolas municipais de Uauá, 59 ficam na zona rural. Desde 1999, a prefeitura vem construindo uma proposta de educação contextualizada, com o apoio dos professores, das comunidades e do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa). “A utilização de material contextualizado, como livros didáticos e jogos educativos, facilitou o processo de alfabetização dos alunos. Eles passaram a ver as belezas da região e, em 2007, nós tivemos o melhor Ideb da Bahia”, afirmou Josiela Cardoso, coordenadora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Uauá. Também participaram do encontro: Luiz Alberto, secretário estadual de Promoção da Igualdade; Walmir Assunção, secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza; Paulo Gabriel, reitor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano; Maria das Graças Bispo, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais da Educação na Bahia (Undime/ BA); e Rovilson Bueno, da secretaria executiva da Resab. Mais informações:
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