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I Quilombinho é aberto ao som dos atabaques no Planalto

Cerca de 100 crianças, artistas, autoridades e mães de santo celebraram a abertura do evento

Brasília, 2 de julho – Ao som dos atabaques e com as bênçãos dos orixás, foi aberto hoje o I Quilombinho – Encontro Nacional de Crianças e Adolescentes Quilombolas, no Palácio do Planalto, em Brasília. Ao lado da Ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, do presidente da Fundação Cultural Palmares, Zulu Araújo, da representante do UNICEF no Brasil, Marie-Pierre Poirier, do coordenador da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Jhonny Martins, da presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Carmem Oliveira, e de representantes de diversos ministérios, crianças e adolescentes quilombolas, além de artistas e autoridades participaram da abertura.

Cerca de 100 crianças e adolescentes quilombolas de todo o Brasil estão reunidos em Brasília, hoje e amanhã, no I Quilombinho, participando de atividades como oficinas de políticas públicas, educação e cultura, música, dança e brincadeiras, todas voltadas para o fortalecimento das identidades e da participação de crianças e adolescentes que vivem em comunidades remanescentes de quilombos. 

A abertura foi feita com a ritualística de matriz africana, com a consagração de Zanauande (que em Yorubá significa criança muito esperada, numa referência a todas as crianças ali presentes). Ainda como parte do ritual de abertura, a lalorixá Maria Venina Carneiro Barbosa abençoou os presentes. A madrinha do I Quilombinho, Lecy Brandão, agradeceu a luta de todos do movimento negro e, muito emocionada, disse que “além de ser prazeroso estar aqui como madrinha deste evento tão importante, é também um momento de reafirmação da esperança”.

Ao se dirigir às crianças, Jhonny Martins, do Conaq, afirmou estar muito tranqüilo sobre os resultados do I Quilombinho, pois sabe que as crianças e os adolescentes quilombolas saberão propor e dizer o que precisam e o que tem que ser feito para melhoria da vida de todos os quilombolas do país. Gabrielle Rodi Gomes da Silva, 10 anos, de Alagoas, e Leonardo Lopes Barros, de 16 anos, de Rondônia, falaram em nome das crianças e dos adolescentes quilombolas, deixando claro que não vieram para brincar, mas para conhecer outras crianças como eles e para que possam propor melhorias em sua vida. Carmem Oliveira, presidente do Conanda, lembrou que este é o ano da Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que acontecerá em Brasília, em dezembro. “Gabrielle e Leonardo, esta será a primeira vez que o evento contará com delegados e delegadas adolescentes e, por isso, espero que vocês estejam presentes, trazendo suas contribuições nos encontros estaduais e na Conferência Nacional”, disse a presidente do Conanda.

Marie-Pierre Poirrier, representante do UNICEF no Brasil, lembrou que ”ainda em pleno século 21, em um país com tão grande potencial, nascer branco ou negro ou indígena continua determinando as oportunidades que as pessoas têm de ter acesso ao trabalho, à saúde, à qualidade de vida, à educação, à proteção contra os abusos e as violações de direitos.” Preocupada com os números da exclusão social no Brasil, citou um estudo feito em São Luís, Maranhão, mostrando que metade das empregadas trabalhadoras domésticas são meninas negras quilombolas que saíram de suas comunidades antes mesmo de terminar os estudos. “Essas crianças não podem mais continuar invisíveis aos olhos da sociedade”, afirmou.

“Nossa busca é pela justiça social. Afirmo que somos descendentes de africanos, não de escravos.” Com essas palavras, a ministra Matilde Ribeiro traçou os avanços conquistados no atual governo no debate sobre a questão racial, mas admitiu que ainda há muito o que ser feito. Sobre o I Quilombinho, a ministra informou ser o evento o resultado da construção do Programa Brasil Quilombola e de diagnósticos que revelaram a importância de se elaborar políticas públicas por meio da construção de diálogos. “O presidente Lula, desde o seu primeiro mandato, já esteve presente em 17 países africanos, como parte de uma política de aproximação, de construção de pontes. Assim também os Quilombos são parte dessa política de afirmação e de reafirmação do compromisso do governo com essas comunidades”.

Um dos principais resultados do I Quilombinho será a “Carta dos Adolescentes e Crianças Quilombolas”, a ser produzida pelos adolescentes e crianças quilombolas e que será entregue aos representantes do governo no Senado Federal, no próximo dia 4.

Quilombolas
De acordo com a Seppir, os dados sobre os Quilombolas são:

  • 3.524 comunidades identificadas.
  • 1.170 certificadas pela Fundação Cultural Palmares.
  • 500 processos de titulação em curso no Incra.
  • De 1995 a 2006, 58 terras foram tituladas beneficiando 114 comunidades quilombolas ou cerca de 7.137 famílias.
  • As áreas regularizadas somam 889.755,3247 hectares. O governo federal foi responsável por menos da metade destas titulações (25). 
  • Existem comunidades quilombolas vivendo em 24 Estados do Brasil: Amazonas, Alagoas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
  • Estimativas apontam para uma população de 900 mil crianças e adolescentes de até 17 anos.
  • De acordo com estudos desenvolvidos pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), há cerca de 5 milhões de quilombolas vivendo em 5 mil comunidades em todo o País.
  • Os resultados da Chamada Nutricional, realizada em parceria entre Ministério do Desenvolvimento Social, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e o UNICEF revelam:
    • A proporção de crianças quilombolas de até 5 anos desnutridas é 76,1% maior do que na população brasileira e 44,6% maior do que na população rural.
    • 11,6% têm altura inferior aos padrões recomendados pela OMS (Organização Mundial da Saúde). 
    • 90,9% das crianças quilombolas moram em domicílio com renda familiar inferior a R$ 424 por mês. 
    • 57,5% vivem em lares com renda total menor de R$ 207. 
    • 3,2% das crianças moram em residência com acesso a rede pública de esgoto e 28,9% com acesso a fossa séptica. No Brasil, 45,6% dos brasileiros moram em domicílios com rede pública de esgoto e 21,4% em casas com fossa séptica.

Para mais informações:
Isabel Clavelin, SEPPIR (61) 3411-4977 / 9655-1418
Ida Pietricovsky Oliveira, UNICEF, (91) 8128-9022
Flávia Ribas, UNICEF (61) 3035-1951

 

 
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