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Adolescentes se unem para ajudar a mudar os rumos do Semiárido

© UNICEF/BRZ/Adriana Alvarenga
Eloí fala em nome dos adolescentes na entrega do Selo.

“Ser criança e adolescente no Semiárido mineiro é muito mais do que aquilo que dizem de nós: um povo sofrido, sem oportunidades e carente. Na realidade, ser adolescente é ser capaz de integrar, participar, conscientizar e mobilizar a comunidade. Somos jovens corajosos, temos direito à cultura, educação, cidadania e temos capacidade de ajudar na melhoria da nossa região”.

Em tom altivo, o jovem de postura firme conseguiu emocionar a platéia de 450 pessoas, que celebravam a entrega do Selo UNICEF Município Aprovado Edição 2008 em Minas Gerais, realizada no dia 16 de dezembro de 2008, em Belo Horizonte. O discurso emocionado de Eloí Lucas Silva Mota arrancou não apenas muitos aplausos, mas também palavras de admiração do vice-governador do Estado mineiro, presente no evento.

Com essa fala, Eloí iniciou seu discurso, elaborado pelos 40 meninos e meninas que integram a Rede de Jovens Comunicadores do Semiárido Mineiro. Constituída durante a segunda edição do Selo UNICEF, a Rede foi criada para ajudar a garantir aos adolescentes a oportunidade de trabalhar juntos pela melhoria das condições de vida e da imagem da região, utilizando ferramentas e estratégias de comunicação para dar visibilidade ao tema e mobilizar outras pessoas.

Não por acaso, Eloí foi escolhido para levar a mensagem ao público, que incluía, além do vice-governador, secretários estaduais, prefeitos, conselheiros, empresários, jornalistas. Aos 17 anos, ele iniciou sua atuação política motivado pelas atividades do Selo.

Em seu município, Mata Verde, localizado a 799 KM de Belo Horizonte, o adolescente participou das atividades relacionadas aos temas Esporte e Cidadania e Participação Política de Adolescentes e Orçamento Público, do eixo de Participação Social do Selo UNICEF. Eloí era um dos doze integrantes do Grupo de Trabalho (GT) do segundo tema.

A primeira iniciativa do grupo foi produzir um spot para rádio incentivando os adolescentes com idades entre 16 e 17 anos a se cadastrar como eleitores e participar das eleições municipais, ocorridas em outubro de 2008. Além disso, o grupo organizou uma palestra na Câmara Municipal para falar sobre o direito ao voto, eleições limpas, orçamento público e apresentar o Selo UNICEF para os jovens do município.

Quando o cartório eleitoral itinerante foi ao município, eles trataram logo de anunciar na rádio. “Os adolescentes passaram a valorizar mais o voto e a participar ativamente das atividades do Selo UNICEF, além disso, em 2008, o número de eleitores de 16 e 17 anos participando das eleições foi bem maior”, relata Eloí. O jovem também conta que as atividades do Selo o despertaram para a discussão sobre orçamento: “eu já gostava de discutir políticas públicas e com o Selo eu pude aprender mais sobre orçamento”.

O envolvimento rendeu ao garoto a indicação do articulador local para integrar a Rede de Jovens Comunicadores do Semiárido Mineiro. Já no primeiro encontro do grupo, em outubro de 2008, Eloí despontava pela desenvoltura com que tratava de temas como orçamento público.

© UNICEF/BRZ/Adriana Alvarenga
Durante o I Encontro da Rede de Jovens de Comunicadores, Eloí utiliza câmara para apresentar um objeto típico de sua cidade.

O conhecimento expresso pelo rapaz chamou a atenção da equipe do Selo em Minas, que providenciou a participação do jovem no processo de revisão do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) de Minas Gerais, realizada entre os dias 5 e 7 de novembro. Juntamente com Gean Thairony Ferreira, de Porteirinha, também integrante da Rede, Eloí acompanhou atento as discussões. Os adolescentes contribuíram para um processo que resultou em 457 sugestões de emendas ao PPAG 2008-2011 do Estado, que contém as diretrizes, os objetivos e as metas da administração pública para os quatro anos seguintes à sua edição.

Causou estranheza ao garoto atento à condução das políticas públicas a baixa participação dos jovens no processo. “Em alguns grupos de trabalho, às vezes, tinha apenas eu e Gean de adolescentes”, relata. Ele acredita na importância do maior empenho dos jovens no acompanhamento do orçamento público como condição para a efetivação de melhores condições de vida para crianças e adolescentes.

Apesar de não ter conseguido a certificação do Selo UNICEF em 2008, o adolescente diz que a população de Mata Verde não vai desistir e que todos já perceberam um grande avanço no município, principalmente, ao que se refere à mobilização. “Com as ações do Selo UNICEF, passamos a agir de forma ativa em nossas comunidades. Transformações ocorreram, percebemos nosso potencial e, com isso, estamos criando novas vidas para os municípios e, no decorrer do tempo, uma nova região”, explica.

Nesse sentido, Eloí ressalta que a Rede de Jovens oferece ferramentas e formações que contribuem para uma atuação em grupo. “A Rede é considerada uma esperança para nossa região, principalmente no que se refere à efetivação de políticas públicas para a infância e a adolescência”, destaca.

O adolescente tem orgulho em integrar o grupo e muita consciência da importância de sua participação, ao mesmo tempo em que anseia por condições para investir em sua formação. “Eu adoro minha cidade, mas preciso fazer uma faculdade e aqui não tem”, lamenta. O futuro estudante de Comunicação Social espera que os adolescentes de Mata Verde continuem sendo participativos. “Apesar de ainda tímida, a participação política dos jovens já está gerando vários resultados significativos”, acredita.

 

 
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