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Tecnologia dá novo rumo à vida de adolescente do Semiárido mineiro

© UNICEF/BRZ/Adriana Alvarenga

O asfalto ainda não chegou a Pai Pedro, município que fica a 590 km de Belo Horizonte, no norte de Minas Gerais. Quem visita a cidade, de chão batido e poucas casas, conhece de perto as dificuldades enfrentadas pelos moradores da região semiárida mineira. Mas é nesse cenário, aparentemente distante, que um jovem se vale da tecnologia para mudar vidas se conectando ao mundo. Enilson Francisco dos Santos, que aos 10 anos trabalhava na feira da cidade, hoje, aos 18, tem na internet, no rádio e no vídeo importantes aliados no esforço pela conquista de melhores condições de vida em seu município.

As vivências na região, onde a garantia dos direitos da criança e do adolescente ainda representa um dos maiores desafios do Estado, ensinaram o garoto a agarrar todas as oportunidades para transformar a sua vida e, sobretudo, a dos outros. O desejo de ajudar veio do exemplo de luta da própria mãe e do pai. Desde que o menino tem 10 anos, a mãe se levanta, todas as manhãs, às 6h40 e segue para o trabalho como empregada doméstica. Já o pai foi um marco de solidariedade: ministrou aulas de alfabetização para jovens e adultos, contando apenas com uma ajuda de custo, antes de ter a sua própria terra e se tornar agricultor. “Eu sempre tive como meu objetivo maior dar uma condição de vida melhor para cada um deles”, conta o adolescente.

A primeira oportunidade de uma vida diferente para Enilson surgiu com o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil do governo federal. A família de Enilson passou a receber uma ajuda financeira para que o menino deixasse o trabalho na feira. A partir daí, era chegada a hora de partir para um novo mundo: a internet. O programa Cidadão.Net trouxe a Enilson não só a oportunidade de aprender sobre o mundo digital, mas também de ensinar sobre ele para aqueles que ainda não tinham conhecimento sobre o tema.

A passagem do Selo UNICEF Município Aprovado por Pai Pedro despertou o ânimo nos habitantes do município, dando a Enilson novo fôlego em seus trabalhos. Em 2008, a cidade de Enilson comemorou uma importante conquista: recebeu pela primeira vez o Selo UNICEF Município Aprovado. Em dois anos, o município quase dobrou o percentual de mulheres grávidas com sete ou mais consultas de pré-natal. Em três anos, reduziu o percentual de crianças com menos de 2 anos desnutridas de 26,3% para 7,3%. “Não tínhamos união. As áreas de Assistência Social, Saúde, o Conselho Tutelar, as escolas, cada um trabalhava no seu canto. Com o Selo UNICEF, conseguimos a interação dessas equipes. Todo mundo acabou se envolvendo, não dava para ficar de fora”, conta Vani Lopes, articuladora do Selo em Pai Pedro.

Foi a segunda vez que o município participou do projeto, e dessa vez, o envolvimento dos jovens foi fundamental.

Enilson fez parte do grupo de adolescentes que se mobilizou para acompanhar o orçamento público da cidade. Também ajudou a organizar debates sobre o assunto no município. “Descobrimos muita coisa que a gente não sabia. Onde era investido o dinheiro da prefeitura, em quais obras”, destaca. “Sem o Selo UNICEF, não havia movimento, não havia esse conhecimento que foi gerado. Além disso, trouxe crescimento e oportunidades para as pessoas. Sem falar que as pessoas saíram mais unidas”, relembra.

O próprio Enilson se encarrega de aproveitar ao máximo as oportunidades e mesmo criá-las, quando preciso. Um de seus grandes feitos, conta o jovem, foi a realização do I Seminário de Inclusão Digital e Cidadania, em 2008. Enquanto instruía outros alunos da aula de Desenvolvimento Territorial sobre o que era ser um cidadão, o adolescente pediu a seus alunos que fizessem uma pesquisa pela cidade. Eles deveriam consultar os habitantes sobre o significado de cidadania. “O resultado foi muito fraco. Muita gente não sabia o que era cidadania. Aí eu vi que tinha que fazer alguma coisa”, relata o jovem.

Foi então que Enilson partiu para a organização de um evento que contaria com uma série de palestras sobre o tema, com convidados, inclusive, de Belo Horizonte. “Na última hora, dois palestrantes não puderam vir. Fiquei muito preocupado, sem saber o que fazer. Então, chamei um amigo, que é pedagogo, para dar uma das palestras e eu mesmo ministrei a outra”, relembra o adolescente. O caso foi relatado no primeiro encontro da Rede de Jovens Comunicadores do Semiárido Mineiro. A iniciativa de Enilson e sua atitude em relação ao imprevisto chamou a atenção dos demais integrantes e fez com que o adolescente se tornasse referência no encontro.

O jovem usuário e incentivador de novas tecnologias foi aprovado em uma faculdade privada de Montes Claros, para o curso de Sistemas da Informação. Enilson quer concluir a faculdade e usar o que aprender na sua cidade natal. “Quero sair daqui de Pai Pedro só para fazer curso superior, para depois voltar” ressalta. Passada a maratona do vestibular, o próximo desafio é se manter em um novo município, e ao mesmo tempo pagar a mensalidade de R$ 450,00 pelos estudos.

 

 
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