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Adolescente resgata autoestima aprendendo com história que os livros não contam

Amanda, em Brasília, durante encontro preparatório para o Parlamento Juvenil do Mercosul.

Quando se olha no espelho, a adolescente Amanda Barbosa Veiga dos Santos, de 17 anos, sente orgulho de sua cor de pele e de seu cabelo encaracolado. Mas nem sempre foi assim. Como muitas das meninas de sua idade, ela já passou horas alisando os cachos, para sair de casa com as madeixas lisas. “Não entendia por que não gostava do meu cabelo. Com o tempo, descobri que era fruto do preconceito que eu senti muitas vezes, por ser negra. A gente aprende em livros que não mostram muito do papel dos negros e das mulheres na sociedade. Você tem que procurar, porque eles estão lá, foram muito importantes em diversas lutas de nossa história”, explica.

Amanda mora no município de Padre Paraíso, no Semiárido mineiro. Até bem pouco tempo, vivia na zona rural, com os pais e os irmãos. Em uma de suas idas à cidade, descobriu que uma organização não governamental local estava oferecendo curso de teatro para adolescentes. Como sempre gostou de artes, inscreveu-se e começou a participar. “Eu percebi que ali muitos jovens tinham encontrado um caminho que ajudou a melhorar sua vida”, conta a adolescente.

De lá para cá, não parou mais. Hoje, divide seu tempo entre os estudos no terceiro ano do ensino médio, o teatro e as atividades na área de produção de eventos da Associação de Produtores e Agentes Culturais Através da Arte (APACA). Também coordena a “Conversa de Mulher”, que promove a reflexão e o diálogo, entre as mulheres, sobre os seus direitos, e ajuda voluntariamente um grupo de teatro para crianças e adolescentes em uma comunidade popular da cidade.

Foi por meio do envolvimento com essas atividades que Amanda conheceu o Selo UNICEF Município Aprovado e passou a atuar como Adolescente Comunicadora apoiando, além de Padre Paraíso, as cidades vizinhas de Monte Formoso, Ladainha e Porto dos Volantes na mobilização pelos direitos das crianças e dos adolescentes.

Por sua atuação no Selo, Amanda foi escolhida para representar o Semiárido mineiro, em setembro, na reunião preparatória do Parlamento Juvenil do Mercosul. “O evento buscou ouvir a voz dos jovens estudantes do ensino médio sobre a educação e abrir espaços para, juntos, discutirem a realidade em que os alunos se inserem e buscarem meios para interferir positivamente na escola e comunidade”, explica.

Após o debate dos temas por meio de oficinas pedagógicas, grupos de trabalho e atividades no Congresso Nacional, os próprios adolescentes elegeram 27 representantes do Brasil no Parlmento Juvenil do Mercosul, por voto secreto e direto. Cada adolescente podia votar em até 18 nomes de diferentes Estados. Foi aí que Amanda sentiu novamente o peso do preconceito: “Nenhum representante dos indígenas e dos quilombolas foi eleito; as pessoas acham que os negros e os indígenas não representam o Brasil. Quando perceberam, os próprios adolescentes tentaram reverter a situação, escrevendo uma carta pedindo que se reavaliasse a possibilidade de eles participarem, mas aí já era tarde”, conta.

“Na verdade, quando se fala em democracia, os estudantes às vezes, cometem os mesmos erros históricos”, complementa, sem, contudo, desanimar. Ela acredita que o trabalho que desenvolve, como Adolescente Comunicadora no Selo UNICEF, com o teatro e com as rodas de conversa com as mulheres, vai ajudar a mudar essa realidade.

 

 
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