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“Preconceito não deveria existir”

© UNICEF

Jefferson Fernandes, 14 anos, aluno da 9ª série de uma escola municipal de Parelhas (RN), é um adolescente com sonhos de adolescente, como ser jogador de futebol, com gostos de adolescente, mas com uma rotina cultural riquíssima, que o torna diferente de muitos meninos de sua idade.

Morador da comunidade quilombola de Boa Vista dos Negros, localizada no município de Parelhas, ele cresceu em um ambiente onde a cor negra é motivo de orgulho e a cultura afro faz parte do cotidiano das famílias. Parelhas é um dos 43 municípios do Rio Grande do Norte que ganharam a Edição 2008 do Selo UNICEF Município Aprovado.

De tão pequeno, ele nem se lembra quando começou a participar dos grupos de danças e ritos religiosos. Só lembra que queria fazer como o pai: “eu via meu pai pulando, os homens tocando e queria fazer igual”. Ele se refere à Irmandade dos Negros do Rosário, grupo que existe desde 1863 e do qual seu pai faz parte, assim como vários homens da comunidade.

Quem ajuda a recordar é a mãe, Graça Fernandes, mais conhecida como Preta, que presidiu a Associação de Desenvolvimento Comunitário de Boa Vista por seis anos e hoje é voluntária do ponto de cultura Espaço de Resistência. O filho tinha entre 7 e 8 anos quando começou a participar das atividades da comunidade. Primeiro, no grupo Quilombinhos, onde as crianças aprendem sobre suas origens, seus antepassados e sua história e, em rodas de conversa e práticas lúdicas, aprendem a importância da valorização de sua cultura.

Hoje Jefferson, já crescido para o Quilombinhos, realizou o sonho de dançar com o pai na Irmandade dos Negros do Rosário. Eles participam todos os anos da festa dedicada à Nossa Senhora do Rosário, realizada de 30 de dezembro a 1 de janeiro, em Jardim do Seridó, peregrinação que passa de pai para filho e já faz parte da história de Boa Vista dos Negros.

Jefferson também integra o grupo de percussão Afro Regueiros, onde aprende ritmos africanos. Sua casa é sua maior escola: enquanto o pai é seu exemplo na Irmandade, a mãe dança no grupo de mulheres Pérola Negra. Questionado sobre preconceito, fala com uma sabedoria e uma paz capazes de desmontar qualquer um que pense o contrário: “Preconceito é um negócio que não era pra existir. Há gente que acha que uma coisa é ruim sem nem conhecer e, quando conhece, muda de opinião”.

Ele quer continuar na Irmandade e nas atividades da Associação ainda por muito tempo, porque, segundo ele, “ainda existe gente que não conhece a nossa história”.

 

 
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