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Autoestima e orgulho da cor

Francisca Nonália da Silva, 20 anos, tinha 18 quando participou da oficina sobre penteados afros. Ela, no entanto, desde cedo já fazia “tranceado” com sua prima Francisca Belivânia, mais conhecida como Vaninha, 16 anos. Ambas se interessaram pela oficina, promovida pela Associação dos Remanescentes de Quilombos de Alto Alegre e Adjacências (Arqua), para melhorar as técnicas aprendidas no dia a dia, sem orientação, mas guiadas pelo instinto. A instituição é apoiada pelo UNICEF.

Nonália e Vaninha nasceram e se criaram na comunidade quilombola de Alto Alegre, localizada no Distrito de Queimadas, Horizonte, uma das 17 comunidades reconhecidas como remanescente de quilombos no Ceará pela Fundação Palmares.

O cabelo para elas nem sempre foi motivo de orgulho. “Eu fui uma dessas que queria alisar o cabelo, porque achava bonito o cabelo balançando pra lá e pra cá”, relembra Nonália. As pazes com a cabeleira vieram com o tempo e com o despertar para a beleza que tinha em si. “Eu acho bonito cabelo liso, mas hoje acho mais ainda o trançado”. Vaninha usou rastafári durante um ano. Na escola, era onde sofria mais preconceito, pois zombavam do seu cabelo. “Eu não ficava com raiva dos colegas, mas ficava triste, porque eles não sabiam qual é a beleza que está por dentro da gente”, desabafa.

O orgulho de seus antepassados também veio com o tempo e com as informações novas que chegavam à comunidade. “Quando começou essa conversa de quilombola, eu tinha uns 15 anos, aí comecei a pesquisar, a me informar e comecei a ter orgulho. Hoje, se me chamam de morena, eu nem respondo! A pergunta que eu mais gosto é qual é a minha cor: eu sou é negra”, afirma Nonália, sorrindo.

Grávida de dois meses, a jovem tem um duplo desafio: repassar para seu filho o orgulho de suas origens e trabalhar com o marido a importância de ele se reconhecer como descendente dos negros, já que ele se diz “queimado do sol”. “Na minha casa, não havia essa discussão, porque os meus pais não se reconheciam. Mas, para o meu filho, eu vou passar tudo isso, conversar, para ele ter orgulho da cor dele, porque tanto eu quanto o pai dele somos negros”, afirma.

Hoje Nonália trabalha em uma empresa de confecção e faz trançado nas meninas da comunidade sempre que pedem, o que lhe rende uma renda extra. Apesar do pouco tempo, não perde o vínculo com a Associação e, de vez em quando, dá uma passadinha por lá “para saber as novidades”.

 

 
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