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Dos programas de rádio do Selo UNICEF para uma profissão

© Escritório do UNICEF Fortaleza

Até os 15 anos de idade, a timidez de Márcio não permitia que ele participasse de nenhuma das atividades da escola municipal onde estudava, no município de Canindé, distante 120 km de Fortaleza (CE). Só quando começou a freqüentar as aulas de teatro é que passou a ter mais desenvoltura e fazer um maior número de amigos. Mas o ponto decisivo para uma mudança na sua vida aconteceu em 2005, quando observou um anúncio no quadro de avisos da escola, convocando candidatos a jovens radialistas para a rádio escolar.

Na época, a escola havia acabado de adquirir equipamentos de rádio e estava em busca de capacitar alunos interessados em participar. Francisco Márcio Silva de Oliveira candidatou-se e foi selecionado. Fez o curso e passou para a fase de estágios. Aprendeu o papel de locutor, a mexer na mesa de áudio, editar e fazer entrevistas. Gostou tanto que passou dois anos fazendo rádio escola.

O que começou como uma brincadeira passou a ser uma constante na vida de Márcio. Já no ensino médio, estudando numa escola da Rede Estadual de Ensino, ele soube que seria lançado o Projeto Rádio Mix. O projeto incluía a produção de programas de rádio voltados para os itens de Participação Social da Edição 2006 do Selo UNICEF Município Aprovado. Os programas deviam abordar, entre outros temas de interesse da escola e do município, como o município estava mobilizando em torno da Participação Política de Adolescentes, Educação Ambiental e Cultura.

Mais uma vez, ele resolveu arriscar e deu certo: passou no teste. Com a experiência já adquirida, ele apresentava o programa, produzia e, de vez em quando, saía com o gravador fazendo entrevistas. Pouco tempo depois, o equipamento foi roubado e eles tiveram de fazer o programa numa rádio particular. O programa ia ao ar todos os sábados, de 11 horas ao meio dia.

A passagem dessa fase para a vida profissional foi rápida e é contada pelo próprio Márcio: “Um dia o diretor de programação da rádio me chamou para fazer um teste de reportagem para um estágio de cinco meses. Ele gostou e me contratou para ficar fazendo reportagem”. A rádio em que ele trabalha até hoje tem potência para atingir 72 municípios cearenses.

Atualmente, Márcio divide um pouco da sua experiência com crianças e adolescentes do município que, freqüentemente, lhe pedem dicas de como fazer um programa de rádio. Principalmente porque, na Edição 2008 do Selo UNICEF, os municípios têm de preparar peças de comunicação sobre Cultura e Identidade Afro-brasileira e Indígena, Educação para a Convivência com o Semi-árido, Esporte e Cidadania e Participação Política dos Adolescentes e Orçamento Público.

Ele divide seu tempo entre duas atividades que diz adorar. Na rádio, ele faz reportagens e apresenta das 7h às 9h45, quinzenalmente, o programa Escalada Musical, que, além da maior audiência dos domingos, tem uma representativa participação dos ouvintes. E, mais recentemente, foi contratado pela escola municipal onde estudou para ser auxiliar de esporte. Seu maior desejo é que a escola, que também teve os equipamentos furtados, volte a comprar o material para que ele possa dar oficinas de rádio para os alunos. Ele quer repassar o que aprendeu para os mais novos.

Hoje com 21 anos, Francisco Márcio, filho de um pedreiro e de uma agricultora aposentados, é solteiro e mora com o pai e a irmã. Ele é o mais novo de uma família de sete irmãos e tem um sonho: voltar a estudar e se preparar para o vestibular em Educação Física.

 

 
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