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Adolescente aposta na participação de meninos e meninas na construção de uma cidade melhor para todos

© UNICEF/BRZ/Adriana Alvarenga
Para Helber, São Paulo é a cidade da esperança.

Helber Pereira dos Santos mora em São Paulo, a maior e mais influente cidade brasileira, onde vivem mais de 19 milhões de habitantes. Aos 17 anos, Helber sente na pele alguns dos problemas enfrentados pela população do município, como as dificuldades de mobilidade. Para ir de sua casa, na zona leste, à zona sul, saiu às cinco da manhã, caminhou, pegou um ônibus e três metrôs, chegando ao destino três horas depois.

As questões de saúde também preocupam o adolescente. Sabe que colegas seus, integrantes do projeto Tecer o Futuro, do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto em parceria com o UNICEF, não conseguem atendimento médico para o tratamento da aids durante a noite (atendimento que já existe para os adultos), prejudicando a freqüência às aulas.

Sobre o direito à educação, Helber tem exemplos em sua própria casa: o pai estudou apenas até a 4ª série do ensino fundamental. A mãe voltou a estudar aos 57 anos e agora está prestes a concluir a 8ª série. Mesmo assim, toda a família incentiva Helber a estudar. Ao final de 2008, ele termina o ensino médio. Com o apoio de um dos quatro irmãos mais velhos, estuda inglês e já fez um curso de informática.

Sua experiência de vida ajudou-o a apresentar, com muita propriedade, um conjunto de propostas que ele e outros meninos e meninas de cerca de 80 escolas e ONGs, mobilizados pelo UNICEF e a Revista Viração, fizeram para a cidade de São Paulo. A ação foi desenvolvida em parceria com o Movimento Nossa São Paulo, uma iniciativa apartidária e intersetorial, que reúne mais de 400 organizações de várias áreas, para construir propostas para uma cidade melhor.

“Não estamos aqui para enfeitar um evento”, alertou Helber ao público do I Fórum Nossa São Paulo – Propostas para uma Cidade Justa e Sustentável, em maio de 2008. “Queremos mostrar que nós também pensamos sobre a cidade e temos propostas, porque enfrentamos os mesmos problemas que os adultos”, explicou.

Entre as sugestões, está a criação de espaços em que os moradores possam se reunir para estudar a cidade, elaborar projetos em parceria com o poder público, acompanhar e fiscalizar ações da prefeitura e a forma como o dinheiro público é utilizado. Outra proposta é garantir uma maior participação das famílias na gestão escolar e a expansão de atividades complementares à escola.

"Esse processo veio reforçar nossa convicção de que as crianças e os adolescentes estão prontos para participar, querem opinar e têm sugestões muito concretas sobre o que pode ser feito pela melhoria da cidade", afirma a coordenadora do Escritório do UNICEF em São Paulo, Anna Penido.

Visão de longo prazo – As propostas apresentadas por crianças e adolescentes serão utilizadas pelo UNICEF no processo de sensibilização dos candidatos a prefeito nas eleições 2008, para que as incluam em seus programas de campanha e governo. Elas também serão enviadas ao secretário municipal de Educação, que no momento coordena a elaboração do plano municipal para a área.

A oportunidade de ouvir as vozes das crianças e dos adolescentes foi um dos primeiros passos, em São Paulo, da plataforma que o UNICEF está implementando para a garantia dos direitos nas comunidades populares dos Centros Urbanos. Para complementar, um grupo de adolescentes, coordenados pela Revista Viração, parceira do UNICEF nessa ação, realizou a cobertura jovem de mídia, produzindo e disseminando textos, vídeos e material de rádio. Essa foi mais uma oportunidade de trazer a visão dos meninos e meninas sobre os temas que dizem respeito à vida da cidade e à garantia dos direitos de cada cidadão.

Para Helber, a participação do adolescente não se encerra com a cobertura jornalística ou o debate e a elaboração das propostas. “Quero propor, mas também quero cobrar, dos próximos prefeitos e do atual, a transformação dessas propostas em prática”, disse à platéia composta por cerca de 400 representantes de governos, organizações da sociedade civil e jornalistas. 

Enquanto ajuda São Paulo a ser uma cidade melhor, Helber também tem sonhos para sua vida pessoal, mas eles estão sempre atrelados a seu papel social. Primeiro, quer ajudar o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto a concluir um projeto, com o UNICEF, para disseminar a metodologia de sensibilização e capacitação de adolescentes sobre temas relativos aos direitos sexuais e reprodutivos e à aids. Depois, quer passar um tempo na Inglaterra, estudando inglês, conhecendo gente diferente e a cultura do país.

Ao mesmo tempo, o adolescente vai levando o que já sabe para dentro da escola em que estuda e fazendo coisas que, segundo ele, são simples, mas muita gente não faz, como não jogar o lixo no chão e apoiar o próximo no que está ao seu alcance. Faz tudo sem nunca desanimar.

© UNICEF/BRZ/Alvarenga
Helber cobra das autoridades a transformação das propostas em políticas públicas.

Com um sorriso largo e gentil e a voz embargada, Helber emocionou os participantes da cerimônia de abertura do I Fórum Nossa São Paulo, ao encerrar sua fala. “Para mim, São Paulo é a cidade da esperança, aquela que muitos lá fora já perderam”, concluiu.

Certamente, a esperança deste e de muitos outros adolescentes diz respeito ao verbo “esperançar”, e não ao “esperar”, como dizia o mundialmente conhecido educador brasileiro Paulo Freire.

 

 
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