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I Quilombinho: garantindo prioridade nas políticas públicas para crianças quilombolas

© UNICEF/BRZ/Flávia Ribas

Matheus de Lima Marques tem 12 anos e vive na Comunidade Negra Paiol de Telha, próximo ao município de Guarapuava, no Paraná, região sul do Brasil. O menino cursa a 6ª série do Ensino Fundamental e é obrigado a percorrer todos os dias uma distância longa para chegar até a escola. O trajeto é feito de ônibus, que busca as crianças em sua comunidade e leva para uma escola na cidade. “Paiol de Telha é um lugar muito bom para morar, mas a gente sente falta de algumas coisas, como posto de saúde, um mercado e principalmente uma escola.”, diz o menino. Assim como na maioria das comunidades quilombolas brasileiras, a comunidade onde vive Matheus não tem escola de ensino fundamental.

Em 2007, Matheus está contente porque ele e as crianças da escola vão receber, pela primeira vez, aulas de história e cultura afro-brasileira. “Eu acho muito importante. Já sei de muitas coisas porque faço parte de um grupo de dança afro, mas acho que todas as crianças têm direito a conhecer a história dos negros no Brasil. O nosso País é um arco-íris, né?”

Por conhecer tão bem o tema, Matheus teve uma redação premiada sobre “Diversidade Étnica e Racial no Brasil”, e, como vencedor, foi escolhido para participar do I Quilombinho – Encontro Nacional de Crianças e Adolescentes Quilombolas, realizado, com o apoio do UNICEF, entre os dias 2 e 3 de julho de 2007, em Brasília. “Está sendo uma boa oportunidade, porque posso conhecer melhor como vivem as outras crianças, como é a vida na comunidade delas. Já tinha participado de um encontro parecido no meu Estado, mas agora encontro gente do Brasil todo. E o que eu aprender aqui, vou levar para minha comunidade e transmitir para as outras pessoas”, conta o menino que sonha, um dia, em morar na África. “Tenho vontade de conhecer de perto o povo que deu origem aos negros brasileiros. No futuro, acho que vou ser advogado, quero dar uma boa casa para minha mãe morar e ser um rapaz de qualidades”, diz.

Junto com Matheus, cerca de 100 meninos e meninas vindos de 22 Estados brasileiros discutiram, durante o I Quilombinho, temas como educação, saúde, proteção, cultura, lazer e outros direitos de crianças e adolescentes que vivem nas comunidades remanescentes de quilombos. Na história do Brasil, os quilombos eram comunidades isoladas formadas por negros que resistiam contra a escravidão. Hoje no País, a Secretaria Especial de Promoção de Políticas de Igualdade Racial estima que existam 3.524 comunidades quilombolas, onde vivem quase 900 mil crianças e adolescentes.

 

 
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