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Voz dos adolescentes: o rádio pela afirmação da cultura indígena

© UNICEF/BRZ/Pedro Ivo Alcantara

Gabriela Ferraz é a caçula de uma família de quatro filhos, todos radialistas. Estimulada pelos irmãos, aos 14 anos de idade, a jovem da etnia Wanana já tem seu próprio programa em uma rádio de São Gabriel da Cachoeira (AM), município do extremo norte da Amazônia brasileira. O Viva a Vida! vai ao ar todos os domingos das 9h às 12h e leva a seus ouvintes, além de música, muitas informações para os adolescentes e jovens do município.  

“A gente discute muita coisa. Meio ambiente, saúde, educação, cultura”, explica Gabriela. O programa conta com um quadro chamado De Tudo Um Pouco, em que médicos, professores e outros profissionais respondem a dúvidas dos ouvintes. Assim, ela cria um canal de diálogo no qual meninas e meninos podem perguntar “sem medo”. “Hoje em dia é difícil os adultos pararem para conversar com os adolescentes. Muitos de nós ficamos se ter alguém para conversar algo mais sério. Acho que, por isso, recebemos tantas ligações”, explica a adolescente.

Gabriela, que está na oitava série do ensino fundamental, nunca teve vergonha de se afirmar indígena, postura aprendida com os irmãos. E ela vem aproveitando o espaço que tem que na rádio para, cada vez mais, aprofundar a discussão sobre etnia. “Eu sempre assumi minha identidade. Na escola, tenho vários colegas que dizem não saber sua etnia, mas eu acho que eles têm vergonha”, explica.

Nascida na cidade de São Gabriel da Cachoeira, a adolescente lamenta não ter tido a oportunidade de conhecer a comunidade em que seus pais e avós nasceram. O maior obstáculo é a dificuldade de acesso imposta pela floresta. O único caminho possível é navegar pelo Rio Negro e seus afluentes em uma longa viagem. “Espero que a oportunidade venha logo”, diz Gabriela. Mas enquanto isso não acontece, Gabriela não desanima de fazer a sua parte e o Viva a Vida! continuará conscientizando os adolescentes de seu município.

 

 
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