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Soraya e Raiany: amigas em busca dos direitos dos povos indígenas

© UNICEF/BRZ/Pedro Ivo Alcantara

Soraya Nogueira e Raiany Ribeiro são amigas de infância e estão quase o tempo todo grudadas uma na outra. Aos 14 anos, as duas foram escolhidas para representar o Colégio São Gabriel no I Congresso de Adolescentes e Jovens Indígenas de São Gabriel da Cachoeira – Em Defesa dos Nossos Direitos, realizado entre os dias 31 de julho e 3 de agosto de 2007. Elas sabem da responsabilidade que têm. “Teremos que contar o que aconteceu e o que foi decidido para nossos colegas de escola”, diz Raiany, da etnia Baré.

Cada uma começou a se interessar pela discussão dos direito indígenas de maneiras diferentes. Soraya, que também é Baré, conta que as questões étnicas sempre estiveram inseridas no seu cotidiano familiar. Segundo a adolescente, a atuação profissional de sua mãe sempre esteve relacionada ao assunto. Primeiro em uma associação de artesãs indígenas e posteriormente no Departamento de Mulheres do município. “Eu sempre acompanhava minha mãe no trabalha e a via conversando sobre como é importante a gente valorizar nossa cultura”, explica Soraya.

Seu interesse pela história e pela cultura de São Gabriel chamou a atenção da professora de Literatura e Língua Portuguesa, que convidou Soraya para participar do Congresso. “Fiquei muito contente. Essa foi uma oportunidade para expressarmos nossa voz”, comemora a adolescente.

O caso de Raiany foi um pouco diferente. Quando era criança, o Nheengatú era o idioma falado na sua casa. “Aprendi a falar a língua da minha etnia com a minha avó e com a minha mãe”, explica. Hoje Raiany orgulha-se de falar tão bem a língua. Adora cantar e ler histórias em Nheengatú. Naturalmente e sem perceber ela foi se envolvendo e se interessando pelo debate dos direito dos povos da Amazônia. “Eu não pensava muito sobre isso, mas, quando vi, eu já estava me envolvendo”, explica. 

O conhecimento da língua de sua etnia e o interesse com a questão indígena, somados ao fato de ser muito falante, motivaram sua participação no Congresso. “Antes as pessoas olhavam com cara feia se vissem alguém falando uma língua indígena. Hoje isso não acontece mais. As coisas já melhoraram bastante e, com o Congresso, acho que vão melhorar mais ainda”, prevê Raiany.

As duas estão bastante conscientes da responsabilidade que têm agora. Elas se tornaram multiplicadoras dos direitos indígenas na escola e na comunidade em que vivem. “Nunca tivemos vergonha de ser indígenas e queremos que todos sintam orgulho de suas raízes”, diz Soraya.  

 

 
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