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Prevenção do HIV/aids: adolescentes ajudam uns aos outros

© UNICEF/Brasil
Ainoan, 14 anos, é multiplicadora do SPE em Curitiba, no Paraná

Ainoan Arlindo, de 14 anos, tomou um susto quando, há dois anos, soube que um colega da escola em breve seria pai de duas crianças. Não eram gêmeos, e sim filhos de duas garotas com quem estava saindo na mesma época. Para ela, foi a gota d’água: precisava fazer alguma coisa para ajudar os adolescentes e jovens a planejar melhor sua vida reprodutiva e a se proteger das DST e da aids.

Estudante da 8ª série do ensino fundamental, Ainoan encontrou em seu próprio ambiente escolar o espaço de que precisava para colocar seu plano em prática: o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). “Abracei com tudo essa oportunidade. Comecei como participante, ouvindo os outros adolescentes e jovens que realizavam atividades em Curitiba, onde eu moro. Depois, fui a uma capacitação em Brasília e virei multiplicadora”, conta a adolescente.

Hoje, Ainoan orgulha-se de compartilhar seus conhecimentos com outros adolescentes e jovens. Só na escola em que estudou no ano passado, mais de 700 meninas e meninos participaram das atividades, mas Aionan já perdeu as contas de quantas pessoas ajudou em todo o Estado do Paraná. “Faço palestras, organizo jogos, debato com eles sobre sexualidade, drogas, gravidez. É maravilhoso, porque falo com eles de igual para igual”, empolga-se.

Os resultados começam a aparecer. Primeiro, no relacionamento com os próprios jovens. “Eles se sentem mais seguros, sabem que podem confiar em mim, perguntar o que quiserem, solicitar preservativo, pedir orientação sobre onde encontrar um serviço médico, por exemplo”, conta. Depois, nos números. “Na minha escola, no ano de 2005, 10 adolescentes ficaram grávidas. Em 2006, foi só uma. Ou seja, acho que a gente está fazendo uma diferença de verdade”, orgulha-se Ainoan.

Os conhecimentos que passa aos colegas servem também para a própria Ainoan. “Também tive que aprender e mudar muitas idéias que eu tinha”, conta. Apesar da pouca idade, a menina é aprendiz de auxiliar administrativo pela manhã, faz curso no Senai à tarde e à noite cursa o primeiro ano do Ensino Médio. E ainda concilia tudo isso com as atividades do SPE. Mas ela nem pensa em reclamar. Para Ainoan, o SPE ajudou inclusive a melhorar o rendimento escolar. “Todo conhecimento que adquiro ajuda nas matérias que aprendo na escola. Além disso, sendo saudável e tendo minha auto-estima em dia, vou melhor nos estudos”, explica.

A participação no SPE ajudou, ainda, a relacionar-se melhor com a própria família, com quem aprendeu a ter um diálogo mais aberto sobre diversos temas.

Ainoan recusa-se a chamar as dificuldades por esse nome. Para ela, questões como o preconceito, as barreiras impostas pelos pais ou pela religião são apenas desafios. “Às vezes a caminhada é complicada, mas dá para retirar as pedrinhas do caminho. Lá na frente a gente vê o resultado, vê que está dando a sua força para ajudar a melhorar o mundo”, diz a adolescente.

Integrando saúde e educação – O projeto Saúde e Prevenção nas Escolas é uma iniciativa dos ministérios brasileiros da Saúde e da Educação, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Promove a integração entre os serviços municipais e estaduais de saúde e educação e privilegia a escola como espaço para a articulação de políticas de prevenção para adolescentes e jovens, incluindo nos debates e demais atividades os próprios meninos e meninas que vivem com HIV/aids. Dessa maneira, o SPE também trabalha para reduzir o estigma e a discriminação.

 

 

 

 

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