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Grupo Positivo: enfrentando o preconceito contra o HIV/aids

© UNICEF/BRZ/Flávia Ribas
Em pé, na roda, Cristiane* compartilha sua experiência e sua força com outros adolescentes que vivem com HIV

Cristiane* soube que vivia com HIV aos 11 anos. Sua mãe, muito doente, acometida por doenças oportunistas, percebeu que era o momento de revelar toda a verdade para a filha. Sua primeira reação foi chorar muito. Depois, descobriu que tinha que aprender a viver com o vírus – já que não podia mudar essa situação – e apoiar sua mãe.

Por volta dos 13 anos, começou a querer compreender melhor o que o vírus fazia com o seu corpo. Passou a estudar e buscar apoio em grupos de pessoas soropositivas. Foi aí que descobriu que adolescentes tinham demandas específicas, que não eram atendidas pelos serviços a que tinha acesso.

“Encontrei grupos de crianças e grupos de adultos, mas não de adolescentes. Na área da saúde, tem infectologista para crianças e para adultos. Não dá para repartir o médico com nenhum dos dois”, explica.  “Para os adolescentes, é muito difícil aderir à rotina de ingestão de remédios, se organizar com os horários, criar responsabilidade, fazer exame de tempos em tempos, trocar de tratamento. Também não é fácil ter que tomar medicamento na balada, na escola ou com o namorado, por exemplo”, acrescenta.

Vivenciar e presenciar esse tipo de situação foi decisivo para que Cristiane decidisse criar o Grupo Positivo, que reúne 15 adolescentes que vivem com HIV em Curitiba (PR). Hoje, com apenas 18 anos, ela encara uma rotina de adulto. Dirige a ONG, faz palestras, participa de debates e visita, todos os fins de semana, cerca de 25 adolescentes que vivem com o vírus.

Com o apoio do UNICEF, Cristiane também participa de encontros nacionais e internacionais de adolescentes vivendo com HIV, que tem como objetivo o fortalecimento de grupos locais, a troca de experiências e a organização política desses jovens. Ela também foi convidada, pelo Programa Nacional de DST e Aids, do Ministério da Saúde, para ajudar a construir guias de tratamento e orientação para meninas e meninos soropositivos.

Desenvolvendo esse tipo de trabalho, e com todo o conhecimento que foi adquirindo ao longo dos anos, Cristiane sente-se mais forte para enfrentar o preconceito, mas diz que ele ainda é o grande inimigo de quem vive com o vírus.

“Tenho primas que sabem que vivo com HIV, por exemplo. Elas não têm preconceito, mas também não falam comigo sobre o assunto. Talvez tenham medo de me magoar. As pessoas que tem preconceito evitam a gente, têm medo de comer no mesmo prato, beber na mesma xícara. Por isso, na maior parte das vezes, é melhor não revelar”, explica. Ela mesma, que está acostumada a expor sua vida em eventos, pede para não ser fotografada ou ter seu nome revelado.

Mais que o preconceito enfrentado por ela mesma, Cristiane agora se preocupa com a reação que terá sua irmã, de 9 anos, quando souber que também é soropositiva. “Espero que, quando ela chegar à adolescência, já existam políticas públicas mais adequadas para quem vive com o HIV”, conclui.

* O nome é fictício para preservar a identidade da jovem.

 

 

 

 

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