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EducAmazônia: melhorando a qualidade da educação básica para as crianças brasileiras

Nayane durante aula na escola rural
© UNICEF/BRZ/Kent Page

“Minhas aulas favoritas são ciência e português”, fala Nayane, uma menina, de 10 anos, de olhos muito brilhantes e espertos, que cursa a 4ª série do ensino fundamental. “Eu gosto de ciência porque aprendemos sobre o corpo humano, higiene e o que devemos fazer para que não fiquemos doentes.”

Nayane freqüenta a escola primária na comunidade de Juaba, no município de Cametá, Estado do Pará. Sob o comando de Edir, seu professor, 33 meninas e meninos recebem aulas diariamente. “Meu professor nos ensina matemática, geografia, história, ciência, português e educação física”, conta Nayane. “Mas, este ano, nós não temos nenhum livro de história e não temos ninguém que nos ensine música. Isso me deixa triste, porque eu quero aprender sobre meu país e eu preciso aprender música. Quando eu crescer quero ser uma cantora.”

Juaba localiza-se na beira do rio Tocantins, na Região Amazônica. As aulas de Nayane acontecem entre segunda e sexta-feira, das 11 horas da manhã às 3 horas da tarde, ou seja, no horário mais quente e úmido do dia. Todos suam muito. “Se eu pudesse mudar alguma coisa na minha escola, começaria lavando as paredes e pintando todas elas, porque são muito sujas. Faria com que ninguém jogasse lixo no chão e em volta da escola, porque isso pode deixar as crianças doentes e o cheiro é muito ruim. Nem todas as crianças vêm para a escola todos os dias e, quando chegam, os meninos ficam brigando e eu não gosto disso. A escola é um lugar sério, para se estudar, para a gente aprender coisas novas, não um lugar para bagunçar! Eu penso que nossos professores são bons, mas eles precisam fazer com que as aulas fiquem mais legais para ensinar. Eles ajudariam a aprendermos mais, porque às vezes as aulas são chatas e é difícil ficar pensando todo o tempo, porque é muito quente na sala de aula.”

Edir, de 32 anos, é o professor de Nayane. Ele concorda que precisa melhorar a qualidade da educação na escola. “Eu tenho apenas o curso básico de formação de professor e, no entanto, tenho que dar todas as matérias das 1ª a 4ª séries, e ensinar em duas salas de aula diferentes, todos os dias. Isso não é fácil para mim, pois às vezes tenho que ensinar matérias sobre as quais não sei muita coisa. Eu mesmo fico confuso às vezes e isso confunde as crianças também”, explica ele. “Eu quero aprender mais, mas não tenho tempo, pois tenho que trabalhar. Mas mesmo que tivesse tempo, teria que estudar numa universidade privada, que é a única que tem aqui, o que é muito caro para o salário que eu ganho, não tenho como pagar. O que é certo é que mesmo um pouco de treinamento para professores como eu já faria uma enorme diferença, porque, no dia-a-dia, posso ensinar novas coisas para mais de 100 crianças aqui de nossa escola em Juaba!”

“Outro problema que temos é que vários pais não trabalham, ou estão separados, fazendo com que as mães precisem das crianças em casa para ajudá-las na arrumação e demais serviços” continuou Edir. “Alguns dos pais foram apenas 1-2 anos para a escola, outros precisam dos filhos para ajudar na colheita de mandioca, açaí ou pimenta. Por isso, nem sempre eles orientam os filhos em casa a irem para a escola, ou mesmo encorajam a criança a estudar. Com isso, nosso trabalho fica muito difícil, pois os pais não se importam com a escola, e claro, é mais fácil para as crianças também não se importarem. É, por isso, que estamos sempre tentando envolver mais os pais na vida escolar, para que eles compreendam porque freqüentar a escola, diariamente e não eventualmente, pode ajudar no futuro das crianças.”

O projeto EducAmazônia trabalha visando à melhoria da qualidade da educação básica dada a 680 mil crianças, como Nayane, que freqüentam escolas rurais no Estado do Pará, o segundo maior Estado do Brasil amazônico. Essas escolas, que estão entre as mais isoladas do país, freqüentemente localizadas ao longo dos rios que percorrem a floresta tropical, onde muitos professores trabalham sozinhos, em locais inadequados, ensinando em classes multisseriadas, com diferentes faixas etárias de crianças, estudando no mesmo horário e espaço. Não surpreende que muitas crianças não cheguem a ter a oportunidade de aprender o básico, ou seja, a ler e escrever, e como resultado, largam a escola muito cedo. O EducAmazônia quer ajudar os municípios para que entendam que mesmo as crianças que estudam em escolas rurais isoladas têm o mesmo direito que qualquer outra criança; apóiem as ações de melhoria dos recursos financeiros das escolas rurais, garantindo equipamentos e transportes adequados para atender às demandas; e garantam treinamento para os professores, fazendo com que se sintam motivados e capazes de desenvolver material educativo apropriado para as realidades locais.

 

 

 

 

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