Bem-vindo ao UNICEF Angola
Poucos países passaram pelo que Angola passou. Quarenta anos de guerra quase contínua devastaram os serviços básicos de educação e saúde, contribuíram para uma das piores taxas de mortalidade infantil do mundo, paralisaram as capacidades e a produtividade e destruíram o tecido económico e social nacional. Quase metade das crianças Angolanas não vão à escola, 45 % sofrem de subnutrição crónica e um quarto das crianças morre antes de completar cinco anos. E contudo, apesar da magnitude dos desafios que a paz coloca actualmente ao Governo, à UNICEF e à comunidade internacional, Angola tem potencial para iniciar uma nova fase de paz e renovação. Os desafios são claros: criar condições adequadas para o regresso às suas terras de origem de todos os Angolanos, reduzir a mortalidade infantil, fazer progredir os direitos da criança e restaurar os sistemas de saúde e educação em todo o país. E é agora – mais do que em qualquer outro momento desde os acordos de paz de 2002 – que os Angolanos devem sentir os saudáveis ventos de mudança. Regressaram em massa aos seus lares, e contudo os serviços básicos faltam em grande medida a muitas destas comunidades. As minas continuam a ser uma ameaça para a prática da agricultura em segurança, o VIH está a aumentar e os sistemas de água e saneamento estão devastados. A UNICEF apoia o esforço nacional na reconstrução de sistemas em todo o país, e em 2003-04 o país assistiu às maiores campanhas de sempre de saúde e educação. A Campanha Nacional do Sarampo vacinou 7,1 milhões de crianças Angolanas, enquanto a Campanha Voltar à Escola esteve na origem da matrícula de um milhão de crianças e levou o Governo a disponibilizar mais 40 milhões de dólares para o orçamento da educação. Quase metade dos 4,5 milhões de crianças não registadas tem agora certidões de nascimento, e os esforços dirigidos à localização das famílias e aos ex-meninos soldados deram bons resultados. Estas iniciativas foram escolhidas não apenas por responderem a problemas importantes e específicos das crianças, mas também por desencadearem processos que levam à redefinição de políticas e sistemas em larga escala. O seu sucesso é também atribuível às parcerias formadas entre a UNICEF e o Governo Angolano a todos os níveis, outras agências da ONU, a Igreja, ONGs e grupos comunitários. Trata-se de passos importantes, mas são apenas o começo. A via de Angola para a reconstrução é longa. As crianças Angolanas sofreram terrivelmente, tanto como qualquer criança no planeta, e são necessários progressos mais rápidos para garantir que os Angolanos desfrutem de paz na qual valha a pena viver. Isto requer o auxílio de toda a comunidade internacional. Pois é esta a altura de se fazer a diferença. Os Angolanos têm grandes expectativas. Quase 60% da população são crianças, ansiosas por mudança e por um futuro melhor. Mario Ferrari
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